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Residentes da AMLisboa querem transportes públicos mais frequentes - estudo
Quase metade dos residentes da Área Metropolitana de Lisboa (AML) utilizaria mais transportes públicos se houvesse maior frequência e horários mais convenientes, revela o estudo “Tendências Urbanas de Mobilidade 2026 - AM Lisboa”, hoje divulgado.
Segundo o estudo do Automóvel Clube de Portugal (ACP), que revela como os cidadãos se deslocam e o que consideram faltar para melhorar as deslocações, os transportes públicos mantêm uma presença relevante nos hábitos de mobilidade, mas continuam a enfrentar dificuldades de atractividade face ao automóvel.
Este é o meio de transporte mais utilizado por 59% dos inquiridos, considerando condutores e passageiros.
Já o transporte público rodoviário é utilizado por cerca de um terço dos residentes na AML, mas apenas 16% o apontam como principal meio de transporte nas deslocações em dias úteis.
A principal razão que poderia levar os residentes a usar mais transportes públicos é a melhoria da oferta, uma vez que 48% apontam a necessidade de maior frequência e de horários mais convenientes.
Enquanto 31% defendem linhas mais directas e menos transbordos, a redução do preço dos passes ou bilhetes surge em terceiro lugar, referida por 17%.
O estudo mostra que o conhecimento do sistema tarifário é elevado: 86% dos residentes conhecem o passe mensal da sua área, como o passe Navegante, e 45% afirmam utilizá-lo.
Ainda assim, apenas 51% dizem saber exactamente o preço do passe, enquanto 24% afirmam não saber quanto custa.
Metro: o mais utilizado e com maior notoriedade
O estudo demonstra ainda que a proximidade física da habitação à rede também é significativa, com 80% dos inquiridos a viver a menos de 500 metros de uma paragem ou estação de transporte público, seja autocarro, metro ou comboio.
No entanto, apesar desta cobertura, a utilização regular ainda não é dominante, uma vez que 61% afirmam ter usado transportes públicos no último mês, mas a maioria dos residentes continua a não combinar diferentes meios de transporte na mesma viagem.
O Metro de Lisboa é o operador de transporte com maior notoriedade, conhecido ou utilizado por 76% dos inquiridos, seguido da Carris Metropolitana, com 69%, e da CP - Urbanos de Lisboa, com 65%.
No grau de recomendação, porém, os transportes públicos em geral registam um NPS (Net Promoter Score, indicador internacional das métricas de satisfação de cliente) negativo de -24.
Entre os operadores avaliados, o Metro de Lisboa apresenta o melhor resultado, com NPS de 0, enquanto a Carris surge com -26 e a Transtejo/Soflusa com -28.
O estudo sublinha, assim, que embora os transportes públicos tenham elevada notoriedade e estejam fisicamente próximos de grande parte da população, continuam a enfrentar problemas de recomendação e satisfação.
A melhoria da rede de transportes públicos surge também associada à sustentabilidade. Os residentes manifestam interesse em usar mais transportes públicos caso as condições de serviço melhorem e valorizam soluções movidas a energia limpa.
Entre as medidas municipais mais referidas para incentivar uma mobilidade sustentável está a melhoria da rede de transportes públicos eléctricos, apontada por 21% dos inquiridos.
O estudo conclui que o desafio dos transportes públicos na Área Metropolitana de Lisboa “não está apenas no preço ou na proximidade das paragens”, mas sobretudo na capacidade de oferecer um serviço “mais frequente, directo, fiável e competitivo” face ao automóvel.
O estudo foi realizado através de inquérito, feito pela Pitagórica para o ACP, e ouviu 1.850 residentes da AML, entre 11 e 27 de Novembro de 2025, com o objectivo de avaliar hábitos de deslocação, utilização de transportes, condições de circulação, segurança rodoviária e percepção das políticas municipais de mobilidade.
Lusa/DI


















