Palácio Foz - Foto cortesia TPS – Teixeira, Pinto & Soares, SA








Palácio Foz: o que prepara o Governo para um dos palácios históricos de Lisboa?
A Assembleia Municipal de Lisboa (AML) aprovou uma moção do PS para solicitar ao Governo esclarecimentos sobre o futuro do Palácio Foz, na Praça dos Restauradores, cujas obras de conservação e reabilitação terminaram em abril.
A moção foi discutida e votada na reunião da AML de quinta-feira, tendo sido aprovada com o voto contra do Chega em todos os seus pontos, o voto contra ou abstenção do PSD dependendo dos pontos, a abstenção do CDS-PP e o voto favorável na sua totalidade das restantes forças políticas presentes (PS, PCP, BE, Livre, PEV e IL).
O Palácio Foz, adquirido pelo Estado em 1940 e que já teve várias utilizações ao longo do tempo, entrou em obras no final de setembro de 2023, com um prazo previsto de conclusão no final de setembro de 2025, o que acabou por não acontecer.
“Largamente ultrapassados os prazos previstos de conclusão de empreitada, não se conhece qualquer retoma dos usos do Palácio”, lê-se no documento apresentado pelo PS, salientando que, “num contexto em que o Estado está a proceder à alienação de património imobiliário”, a existência de um imóvel como o Palácio Foz “e que foi objeto de um investimento público significativo justifica, por isso, uma atenção particular quanto às decisões que venham a ser tomadas relativamente ao seu futuro”.
Para os socialistas, “o valor de um ativo como o Palácio Foz não se esgota na sua dimensão económica”, pois “inclui dimensões culturais, simbólicas e de uso coletivo, que devem ser consideradas na definição das decisões relativas ao seu futuro”.
Desta forma, a AML aprovou pedir esclarecimentos ao Governo sobre o enquadramento estratégico e institucional do imóvel, instar o executivo de Luís Montenegro (PSD) a ouvir o município de Lisboa nas decisões relativas ao futuro do edifício e a assegurar a salvaguarda da sua função cultural, institucional ou de interesse público.
A moção prevê ainda que a AML inste a Câmara Municipal de Lisboa a “exercer a pressão institucional necessária para garantir uma decisão transparente e responsável quanto ao futuro do Palácio Foz”.
As obras de reabilitação do icónico palácio foram realizadas pela empresa TPS, entidade comtrês décadas de experiência no setor da Engenharia e da Construção Civil.
Palácio Foz: mais de três séculos de história no coração de Lisboa
O Palácio Foz, originalmente conhecido como Palácio Castelo Melhor, é um dos edifícios históricos mais emblemáticos da Praça dos Restauradores, em Lisboa. A sua história remonta a 1711, quando o Conde de Castelo Melhor adquiriu os terrenos onde viria a ser construído o palácio.
Gravemente afetado pelo terramoto de 1755, o edifício foi reconstruído e sucessivamente ampliado ao longo dos séculos XVIII e XIX. Entre as principais intervenções destaca-se a iniciada em 1792, sob orientação do arquiteto italiano Francisco Xavier Fabri, seguindo-se novas obras que se prolongaram até 1858.
Em 1889, o palácio foi adquirido por Tristão Guedes Correia de Queirós, 1.º Marquês da Foz, que promoveu uma profunda remodelação e lhe deu o nome pelo qual hoje é conhecido.
Nas primeiras décadas do século XX, o edifício acolheu diferentes atividades comerciais e culturais, entre as quais o restaurante A Abadia, a Pastelaria Foz e o cinema Central. Em 1940 foi adquirido pelo Estado, tornando-se sede do Secretariado de Propaganda Nacional e, posteriormente, de organismos ligados à informação e ao turismo.
Depois do 25 de Abril de 1974, continuou ligado a serviços públicos, acolhendo, entre outros, o Instituto da Comunicação Social.
Com mais de 300 anos de história, o edifício testemunha diferentes períodos da evolução de Lisboa, desde a cidade anterior ao terramoto de 1755 até à atual Praça dos Restauradores.
Imagens cortesia
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