
Almada @Diário Imobiliário
Oferta de casas para venda cai em 63% dos concelhos portugueses
A oferta de imóveis para venda em Portugal voltou a diminuir de forma significativa no início de 2026. Dados do Imovirtual revelam que, entre Fevereiro e Abril deste ano, desapareceram do mercado mais de 17 mil apartamentos e moradias face ao mesmo período de 2025, traduzindo uma quebra de 8,6%.
A redução da oferta afectou 195 dos 309 concelhos portugueses, o equivalente a 63% do território nacional, aumentando a pressão sobre um mercado já marcado pela forte procura e pela dificuldade crescente em encontrar habitação disponível.
Alguns municípios registaram quedas particularmente acentuadas. Na Horta, nos Açores, a oferta de imóveis para venda caiu 68,6%, passando de 51 para apenas 16 imóveis disponíveis. Em São Brás de Alportel, no Algarve, a quebra atingiu 55,7%, enquanto Fronteira, no Alentejo, registou uma redução de 53,2%.
Também no Algarve, concelhos como Faro (-47%), Olhão (-43,1%) e Lagoa (-39,4%) evidenciam a crescente escassez de produto disponível, num mercado fortemente pressionado pela procura turística e internacional. Espinho, no Norte do país, registou igualmente uma quebra expressiva de 36,8%.
Apesar de a oferta de arrendamento ter aumentado 17,5% a nível nacional, a evolução não foi homogénea. Em 96 dos 254 concelhos analisados — cerca de 38% — verificou-se uma diminuição da oferta de casas para arrendar.
Entre os casos mais significativos destacam-se Penela (-70%), Celorico de Basto (-54,5%), Marinha Grande (-42,9%), Santo Tirso (-41,9%) e Sines (-38,2%). Também Santa Maria da Feira, Barcelos e Torres Vedras registaram reduções relevantes na disponibilidade de imóveis para arrendamento.
Segundo o Imovirtual, os territórios do interior, nomeadamente no Alentejo, Beiras e Trás-os-Montes, apresentam uma situação particularmente sensível, marcada por baixos volumes de oferta e quebras acentuadas, aproximando-se de cenários de escassez habitacional.
Para Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual, “em alguns concelhos, a oferta de imóveis para venda está a diminuir de forma significativa, o que reduz opções e aumenta a pressão sobre os compradores”.
A responsável sublinha ainda que, embora o arrendamento esteja a crescer nas grandes cidades, nos concelhos de menor dimensão a oferta continua a cair de forma expressiva, o que demonstra as fortes assimetrias do mercado habitacional português.
Os dados reforçam a ideia de que a redução da oferta disponível continua a ser um dos principais fatores de pressão sobre os preços da habitação em Portugal, afetando não apenas os grandes centros urbanos, mas também cidades médias e zonas periféricas onde a procura permanece elevada.















