
Investimento imobiliário residencial na Europa atingiu em 2025 o valor mais alto desde 2023
O investimento no sector residencial europeu está a recuperar dinamismo, impulsionado por um enquadramento macroeconómico mais estável e por um crescente interesse dos investidores institucionais. A conclusão é do mais recente inquérito da Cushman & Wakefield, que aponta para uma aceleração da procura por activos habitacionais.
Em 2025, o setor registou um volume de investimento de 59 mil milhões de euros, o melhor desempenho desde 2023, reflectindo uma maior confiança do capital institucional. Atualmente, cerca de dois terços dos investidores alocam pelo menos 20% das suas carteiras ao segmento residencial, sendo que 96% admitem reforçar essa exposição nos próximos cinco anos.
A estabilidade dos retornos continua a ser o principal fator de atratividade para 74% dos investidores, sustentada por tendências demográficas favoráveis e por uma procura consistente. Segmentos como o mercado de arrendamento privado (PRS) e a construção para arrendamento (BTR) lideram as preferências, seguidos pelo alojamento para estudantes (PBSA). Em paralelo, cresce o interesse por soluções alternativas, como habitação acessível e co-living, refletindo uma maior diversificação das estratégias.
Segundo Patrick Hogan, “o que mais se destaca é a consistência da confiança dos investidores”, sublinhando que o bom desempenho do setor em 2025 reforçou a integração estrutural do residencial nas carteiras de investimento.
Expectativas mais estáveis, mas com desafios
Antes do agravamento das tensões no Médio Oriente, o sentimento macroeconómico apontava para maior estabilidade. Mais de metade dos investidores não antecipa alterações nas taxas de juro no próximo ano, enquanto 48% esperam estabilidade nas yields prime. A expectativa de compressão de yields tem vindo a diminuir, sendo o crescimento das rendas e a eficiência operacional os principais motores de retorno.
Para 2026, o segmento PRS/BTR deverá manter-se como o mais dinâmico, embora persistam desafios como a escassez de oportunidades, o desalinhamento de preços entre compradores e vendedores e os riscos políticos e regulatórios.
Alemanha, Espanha e Reino Unido lideram preferências
Os mercados mais atractivos mantêm-se estáveis, com Alemanha, Espanha e Reino Unido a liderarem as preferências dos investidores. Em conjunto, Alemanha e Reino Unido concentraram 66% do investimento residencial europeu em 2025. A Irlanda surge agora à frente da França, sinalizando uma ligeira mudança nas prioridades.
Preferência por activos estabilizados
Num contexto ainda marcado por incerteza, os investidores continuam a privilegiar activos estabilizados, com quase metade a indicar que estes representam entre 80% e 100% das suas carteiras. Esta opção reflete também os desafios recentes da promoção imobiliária, nomeadamente o aumento dos custos de construção.
Nos próximos anos, espera-se que joint ventures e aquisições diretas continuem a dominar, enquanto modelos como forward funding deverão manter-se mais limitados, exceto em mercados emergentes.
Portugal no radar, com foco no alojamento estudantil
Em Portugal, o destaque vai para o segmento de alojamento para estudantes, que entra em 2026 com fundamentos sólidos. De acordo com Alvaro Forero, a combinação de oferta limitada e procura crescente torna este mercado particularmente atrativo para investidores focados em rendimentos estáveis.
Já o segmento de construção para arrendamento permanece pouco desenvolvido, embora o recente enquadramento fiscal possa impulsionar o seu crescimento.
Sustentabilidade mantém peso estratégico
A sustentabilidade continua a ganhar relevância nas decisões de investimento. Cerca de 82% dos investidores identificam este fator como prioritário e muitos admitem pagar um prémio por activos com bom desempenho ambiental. Ainda assim, o impacto na decisão dos inquilinos continua a ser secundário face a fatores como localização e acessibilidade.
O estudo confirma, assim, que o setor residencial europeu entra numa nova fase: mais estável, mais institucionalizado e com estratégias de investimento cada vez mais diversificadas.















