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Opinião
André Santos Silva, Managing Partner da PMA - Paulo Merlini Architects

André Santos Silva, Managing Partner da PMA - Paulo Merlini Architects

A Consciência do Erro

27 de maio de 2026

Contraste gera consciência, tal como o erro gera - ou deveria gerar - conhecimento.

É através desta premissa que devemos analisar e aceitar, por muito que custe, a verdadeira essência do desenvolvimento de um projeto de arquitetura. Existe, muitas vezes, a ilusão de que um projeto é um processo linear e imaculado, mas a realidade dos “bastidores” mostra-nos algo muito diferente: o erro existe, é inevitável e estará sempre presente. No entanto, é precisamente aí que reside o nosso maior impulsionador de evolução.

Um projeto não é uma linha de montagem. Cada projeto comporta uma combinação de características e necessidades específicas, seja pelo tipo de uso, pelas vontades do cliente, pelas características topográficas do terreno a intervir, pela volatilidade do mercado atual ou mesmo pela teia de legislação complexa e variada a cumprir.

Com tantas considerações a ter em conta, a probabilidade de falha é uma certeza matemática. Negar a existência do erro é fechar os olhos à própria natureza da profissão. Acreditar na possibilidade de evitar o erro por completo é uma utopia. Assim sendo, conscientes desta realidade, o desafio passa por identificar e gerir a matriz do erro, o mais cedo possível, de forma a que o seu impacto seja impercetível.

Se, por um lado, aceitamos o erro como um meio de aprendizagem natural, por outro não podemos ser ingénuos e minimizar o seu impacto no negócio. Erros ignorados, subestimados ou descontrolados, traduzem-se em atrasos no planeamento, derrapagens orçamentais, conflitos entre equipas ou outros constrangimentos que podem inviabilizar, na pior das hipóteses, a totalidade do projeto.

Um erro mal gerido poderá ter consequências avassaladoras na rentabilidade do projeto, tanto para o promotor como para as equipas projetistas.

Como devemos, então, equilibrar a aceitação do erro com a proteção da rentabilidade?

Acreditamos que a resposta reside num espírito crítico ativo e contínuo ao longo de todo o processo, isto é,

deixar de ter uma postura reativa e optar por uma postura preventiva, questionando pró-ativamente as próprias soluções no sentido de antecipar incompatibilidades e erros.

A identificação precoce de problemas reduz drasticamente a sua influência no resultado expectável.

O ponto primordial da gestão do erro é garantir que a nossa curva de aprendizagem não é, em circunstância alguma, “financiada” pelo Cliente que apenas procura segurança, rigor e entrega ao longo de todo o processo, no sentido de cumprir o Business Plan previamente definido.

Acreditamos que assumir a gestão do erro é um ato de maturidade profissional.

O erro deve ser assumido como a oportunidade que alimenta a nossa melhoria contínua. Cada falha identificada, analisada e resolvida, converte-se numa certeza sólida e consistente que evitará problemas futuros nas fases consequentes do processo, bem como noutros projetos.

Frank Lloyd Wright terá dito que “Um médico pode sepultar os seus erros, mas um arquiteto só pode aconselhar os seus clientes a plantar trepadeiras”.

Esta frase, apesar da sua ironia, reforça uma verdade essencial: em arquitetura, o erro raramente desaparece sem deixar rasto. Por isso, mais do que escondê-lo, importa compreendê-lo, antecipá-lo e integrá-lo no processo.

Aceitamos que a perfeição não é o ponto de partida, mas sim o objetivo para o qual trabalhamos, passo a passo, de forma cada vez mais consciente, crítica e assertiva.

André Santos Silva

Managing Partner da PMA - Paulo Merlini Architects

*Texto escrito com novo Acordo Ortográfico