
O futuro quarteirão de Entrecampos. Imagem Fidelidade Property Europe, SA
Banco de Portugal recua e vai comprar apenas um edifício em Entrecampos para a sua nova sede
O Banco de Portugal (BdP) decidiu adquirir apenas um edifício no complexo de Entrecampos, em vez dos dois inicialmente previstos, uma alteração que deverá permitir poupar entre 35 e 40 milhões de euros face à solução anterior. O anúncio foi feito esta quarta-feira pelo governador Álvaro Santos Pereira, numa audição no parlamento.
Segundo Santos Pereira, existe "outra solução dentro do complexo de Entrecampos mais adequada", que passa por adquirir apenas o edifício principal, junto aos dois edifícios do projecto inicialmente contratado. O BdP já assinou um acordo com o promotor imobiliário, a Fidelidade, para a aquisição deste edifício — designado A1 — em regime de "core & shell" (núcleo e casca), por 165 milhões de euros. O aditamento ao contrato-promessa de compra e venda assinado em 2025 deverá ser formalizado nos próximos meses.
O edifício será complementado por um novo auditório com capacidade para 400 pessoas, um espaço que o governador descreveu como "aberto a iniciativas e eventos da comunidade". Quanto às preocupações de segurança levantadas pelo projecto anterior — que incluía um edifício com lojas que não pertenciam ao BdP —, Santos Pereira sublinhou que a nova solução garante "verticalidade total", sem qualquer espaço comercial fora do controlo do banco central.
O governador justificou a decisão com a análise da forma como as equipas já operam no edifício da Rua Álvaro Pais, nomeadamente o modelo de trabalho em open space e a flexibilização do teletrabalho, bem como com o reforço da rede regional do banco, que deverá reduzir o número de trabalhadores em Lisboa. Santos Pereira classificou a opção como "uma gestão prudente e sã de recursos do banco central", sempre orientada para cumprir a missão de serviço público da instituição.
Na nova solução também «o mobiliário e decoração» estão por definir e orçamentar
Segundo o responsável, o investimento no novo edifício será, em larga medida, coberto pela venda de imóveis que o BdP vai deixar de utilizar, como o edifício de Alto dos Moinhos e o do Alferes Malheiro, na Almirante Reis. Já a sede histórica na Baixa deverá manter-se, continuando a assegurar os serviços de atendimento ao público — incluindo a tesouraria — e afirmando-se como polo de economia e cultura aberto à comunidade, com a permanência também do Museu do Dinheiro.
O processo remonta a Maio de 2025, quando o BdP, ainda liderado por Mário Centeno, anunciou a assinatura de um contrato com a Fidelidade para a compra de um edifício nos terrenos da antiga Feira Popular, em Entrecampos, por 191,99 milhões de euros, com conclusão prevista para o final de 2027. Em Julho desse ano, o Observador noticiou que o custo total do projecto poderia ascender a 235 milhões de euros, uma vez que o valor inicialmente divulgado dizia respeito apenas às obras estruturais, apontando ainda para alertas de consultores do BdP sobre licenciamentos e a eventual necessidade de avaliação de impacte ambiental para o parque de estacionamento. A notícia gerou polémica política, levando o Governo a anunciar um pedido de auditoria à Inspecção-Geral de Finanças.
Em Setembro de 2025, Centeno foi ouvido no parlamento e afirmou que o valor final das instalações dependeria de decisões futuras, mas que a mudança traria poupanças operacionais. Segundo o então governador, o valor da aquisição do edifício — 192 milhões de euros — não tinha incertezas associadas, ao contrário dos custos relacionados com o interior do edifício, incluindo mobiliário e decoração, que ainda estavam por definir.
Lusa/DI















