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Garantia pública impulsiona crédito à habitação entre jovens, com maior esforço financeiro e financiamento mais elevado
Os casais e os jovens com rendimentos mais baixos são quem mais recorre à garantia pública para a compra de habitação, num contexto em que este mecanismo tem vindo a ganhar peso no mercado, segundo dados divulgados pelo Banco de Portugal (BdP).
De acordo com o regulador, cerca de 62% dos créditos concedidos ao abrigo deste regime foram contratados por dois mutuários, contrastando com os contratos sem garantia, onde predominam os empréstimos individuais (52%). Os rendimentos médios dos beneficiários são também inferiores, tanto em compras a dois como individuais.
Os dados indicam ainda que quem recorre à garantia pública apresenta taxas de esforço mais elevadas. No caso de compradores individuais, o rácio entre prestações e rendimento atinge 42,8%, acima dos 40% registados entre quem não utiliza este mecanismo. Nos contratos com dois mutuários, a taxa de esforço é de 39%, também superior aos 33,1% observados fora da garantia.
Garantia pública e níveis de financiamento
A garantia pública tem igualmente impacto nos níveis de financiamento. Em 2025, cerca de 24% dos novos créditos à habitação apresentaram um rácio ‘loan-to-value’ (LTV) superior a 90%, um aumento significativo face a valores residuais no ano anterior. Entre os empréstimos com garantia, 85% atingiram um LTV de 100%, reflectindo financiamento praticamente integral da aquisição.
No total, os créditos com garantia representaram 15% dos novos contratos e 19,8% do montante concedido em 2025. O valor médio destes empréstimos foi de 207 mil euros, acima dos 174 mil euros registados nos contratos sem este apoio.
Risco e relação com garantia pública
O perfil de risco dos mutuários também evidencia diferenças. Considerando o conjunto do mercado, 21% dos créditos apresentam risco elevado, mas excluindo os contratos com garantia pública, essa proporção desce para 3%, mantendo-se em linha com anos anteriores.
O programa, em vigor até final de 2026, permite ao Estado garantir até 15% do valor do imóvel e destina-se a jovens entre os 18 e os 35 anos que adquiram primeira habitação própria permanente até 450 mil euros. O montante global da medida foi reforçado de 1.200 para 1.550 milhões de euros, dos quais já foram utilizados cerca de 58,8%.
Os dados do BdP mostram que a medida está a facilitar o acesso à habitação por parte dos mais jovens, mas associada a níveis mais elevados de endividamento e esforço financeiro.
Lusa/DI














