
Bruno de Carvalho Matos, Engenheiro Civil
Construção: valerá a pena fazer um MBA?
Um MBA (do inglês, Master in Business Administration) é caracteristicamente uma formação de topo em gestão orientada para profissionais de qualquer setor de atividade da economia que pretendam evoluir na carreira, assumindo posições de liderança, em qualquer área de negócio.
A sua distinção ao nível global justifica-se com fatores como a experiência internacional e a abrangência do programa curricular, que inclui desde disciplinas de finanças e gestão de operações até cursos de gestão da mudança, negociação e comunicação, com aplicações a casos reais. A estas razões acresce ainda a possibilidade de conhecer e aprender com pessoas ambiciosas e diversificadas em termos de educação, experiência e cultura.
As escolas de gestão que oferecem este tipo de formação são diversas, destacando-se, ao nível internacional, exemplos conhecidos como o Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA; a London Business School (LBS), no Reino Unido; e o Institut Européen d'Administration des Affaires (INSEAD), em França. Ao nível nacional, o The Lisbon MBA (TLMBA), que resulta de uma colaboração entre as universidades Católica e Nova, tem sido a principal referência.
A qualidade de um MBA mede-se através de fatores como o seu reconhecimento nos mercados locais e globais, a sua internacionalidade e a excelência do corpo docente e do programa curricular.
No contexto da Construção, um MBA representa uma oportunidade distintiva para fazer face a desafios que requerem uma formação e qualificação mais avançadas, além de contribuir para combater a desvalorização social que historicamente afeta o setor e desfavorece a atração e retenção de talento.
Por exemplo, com referência às áreas de arquitetura e engenharia (conceção) e de obra (execução), um MBA poderá interessar desde aos gestores de empresas ou projetos até aos diretores de obra ou de fiscalização, no sentido de reforçar as suas competências técnicas (e.g. de planeamento, orçamentação, contratação, gestão da operação e do risco) e comportamentais (e.g. de liderança, comunicação, negociação e gestão de conflitos).
Não obstante, a decisão de fazer um MBA deve ser bem ponderada.
Em geral, principalmente nas escolas de eleição, fazer um MBA implica um grande investimento de tempo (várias horas por semana, dentro ou fora das aulas, durante um ou dois anos) e de dinheiro (dezenas de milhares de euros). Se a opção passar por fazer o MBA paralelamente à atividade profissional e o mesmo requerer regime presencial, longe da área de residência ou de trabalho, os desafios poderão ser ainda mais acentuados, especialmente no que se refere ao equilíbrio entre as esferas pessoal, profissional e académica.
Acima de tudo, deverá refletir-se sobre onde se está e para onde se quer ir, ou seja, pensar em que medida a condição pessoal e profissional permitirá assumir o exigente desafio de fazer um MBA e em que medida é que o esforço alocado poderá contribuir para os resultados pretendidos.
A saber, como em qualquer outro curso ou formação superior, que o mesmo não vale por si, mas depende do esforço alocado por cada indivíduo aos processos de aprendizagem e da sua capacidade para transformar o conhecimento em aplicações práticas de interesse para as pessoas e empresas, assim como da capacidade destas pessoas e empresas para compreender e aproveitar o potencial valor acrescentado. Estes aspetos são bastante importantes, dado que, por vezes, poderá pensar-se que qualquer evolução após um MBA é garantida, quando, na verdade, não o é.
Por fim, um MBA poderá assumir um papel chave para desenvolver e valorizar setores económicos como o da Construção, ao elevar a capacidade de realização e adaptação dos gestores e promover o desenvolvimento e a adequação das suas qualificações, aumentando consequentemente a sua integração no mercado e a produtividade, rentabilidade e atratividade dos projetos e empresas.
Bruno de Carvalho Matos
Engenheiro Civil
*Texto escrito com novo Acordo Ortográfico