
João Sousa, CEO JPS Group
Descentralização residencial: porque o futuro da habitação passa fora dos grandes centros urbanos
O mercado imobiliário português encontra-se numa transição estrutural. Durante décadas a procura residencial concentrou-se de forma quase exclusiva nos grandes centros urbanos, nomeadamente em Lisboa e Porto. Temos assistido a uma mudança estrutural nas dinâmicas da habitação, impulsionada por fatores como a pressão sobre os preços, a evolução das infraestruturas, a melhoria da mobilidade, a crescente valorização da qualidade de vida e o preço do m2 mais competitivo, que incentivam a procura de casa em zonas periféricas.
Os centros urbanos deixam de ser financeiramente viáveis, devido ao preço do m2 elevado, oferta limitada e, por necessidade, a opção pelas zonas periféricas, são uma alternativa lógica e, cada vez mais estratégica. Novas centralidades emergem, potenciadas por investimento público e privado, dando origem a territórios mais equilibrados, funcionais e atrativos para viver. Esta alteração da procura não representa um afastamento das cidades, mas antes uma reconfiguração do modelo urbano, assente em proximidade e acessibilidade.
Na área da grande Lisboa, as infraestruturas de transporte desempenham um papel determinante neste processo. Os projetos estruturantes como o TGV, o novo aeroporto de Alcochete, a terceira travessia do Tejo, e a consolidação dos principais eixos rodoviários irão reduzir os tempos de deslocação. Essa influência, aliada à valorização imobiliária da zona, à expectativa de criação de emprego e às melhorias previstas nas ligações fluviais e no transporte público, aumenta a atratividade residencial. Paralelamente, a existência de solo urbanizável e de áreas de expansão urbana permitirá o desenvolvimento de novos bairros e projetos habitacionais, acompanhando a crescente procura gerada pela pressão imobiliária de Lisboa.
Neste contexto, o Arco Ribeirinho Sul e, em particular, o concelho do Montijo, assume uma relevância crescente. O Montijo destaca-se pela excelente ligação à capital, beneficiando de uma forte acessibilidade, graças à diversidade de acessos (A33, A12, Ponte Vasco da Gama e Ferrovia da Fertagus), a que se juntam menos tempo no trânsito e maior previsibilidade nas deslocações.
Esta maior eficiência no transporte permitiu que muitas famílias optarem por viver a sul do Tejo, sem perder ligação funcional à capital, reforçando a atratividade residencial da região. O Montijo passa a situar-se no centro das novas dinâmicas residenciais da AML-Área Metropolitana de Lisboa, com uma expansão recente e mais acessível da oferta habitacional. Segundo os Censos, registou um crescimento populacional de +8,9% entre 2011 e 2021, o mais elevado da zona.
É neste enquadramento que surge a Herdade Real de Santiago, um empreendimento exclusivo promovido pela JPS GROUP e localizado em Pegões, no concelho do Montijo. Este projeto residencial beneficia de uma localização estratégica, devido à proximidade dos principais eixos de mobilidade, num ambiente tranquilo, em plena natureza, sustentável e com elevada qualidade de vida. A habitação deixa de ser apenas uma casa e passa a ser um estilo de vida. A poucos minutos do futuro aeroporto Luís de Camões e do TGV, reforça o seu potencial de valorização e a atratividade para diferentes perfis de compradores e investidores.
A descentralização residencial é uma oportunidade estratégica para repensar como se constrói e habita o território. Os projetos desenvolvidos fora dos grandes centros urbanos permitem uma maior escala, melhor planeamento urbano e uma integração equilibrada e funcional entre habitação, espaços verdes, serviços, comércio e lazer, traduzindo-se numa melhor qualidade de vida e em soluções mais sustentáveis a longo prazo. Atrai empresas, serviços, comércio, investimento imobiliário, gerando emprego local e valoriza o território.
Quando o planeamento territorial, o investimento em infraestruturas e um desenvolvimento imobiliário sustentável se unem, criam-se as condições para um crescimento mais equilibrado e capaz de responder às necessidades habitacionais atuais. É esse movimento que transforma o que antes era periferia em novos polos urbanos, mais acessíveis, mais sustentáveis e mais alinhados com a realidade das famílias.
João Sousa
CEO da JPS GROUP
*Texto escrito com novo Acordo Ortográfico













