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Construção nova ganha relevância no mercado imobiliário português

24 de abril de 2026

 A nova construção está a reforçar o seu peso no mercado imobiliário português, ainda que continue a representar uma fatia reduzida da oferta total. De acordo com dados do Imovirtual, os imóveis novos passaram de 4,6% para 5,0% do total da oferta entre Março de 2025 e Março de 2026, evidenciando uma crescente relevância relativa num contexto de ajustamento do mercado.

Apesar deste crescimento, a nova construção mantém um posicionamento claramente premium. O preço médio anunciado fixou-se nos 647.500 euros, significativamente acima dos 425.000 euros registados nos imóveis usados — um diferencial de cerca de 52%. Ainda assim, a evolução dos preços tem sido semelhante nos dois segmentos, com subidas de 7,2% nos imóveis novos e de 7,6% nos usados.

Oferta concentrada nos grandes centros

A distribuição geográfica da nova construção continua fortemente concentrada nas principais áreas urbanas. Em 2026, Porto e Lisboa representam, em conjunto, 71,8% da oferta, reforçando a centralização do desenvolvimento imobiliário nestas cidades. O Porto lidera com 42,9%, enquanto Lisboa concentra 28,9%.

Em contraciclo, o Algarve perde peso relativo, registando uma quebra de 15%, enquanto Setúbal ganha expressão, atingindo 7,6% e afirmando-se como um novo polo de desenvolvimento.

Tipologias maiores dominam

Ao nível das tipologias, a nova construção evidencia uma clara orientação para imóveis de maior dimensão. As tipologias T3 e T4 representam 73,1% da oferta, acima dos 62,3% observados no mercado de usados, refletindo uma aposta em habitação familiar e de maior valor.

Também na tipologia de imóvel se observam diferenças estruturais. A nova construção é maioritariamente composta por apartamentos, que representam 92,6% da oferta, enquanto as moradias têm um peso reduzido (7,4%). Ainda assim, este segmento registou um crescimento expressivo de 21,4%, sinalizando uma possível diversificação futura.

No mercado de usados, a distribuição é mais equilibrada, com 53,3% de apartamentos e 46,7% de moradias, evidenciando uma maior heterogeneidade da oferta.

Segundo Sylvia Bozzo, “a nova construção continua a ter um peso reduzido no mercado, mas está a ganhar relevância sobretudo nas principais áreas urbanas”, mantendo, no entanto, um perfil mais caro e concentrado, pouco alinhado com o segmento médio da procura.

Os dados sugerem, assim, que, embora a nova construção não esteja a crescer significativamente em volume, está a assumir um papel cada vez mais relevante na estrutura da oferta, num mercado marcado por limitações de acesso e escassez de habitação.