
Vendas de casas recuam no arranque de 2026 e apontam para abrandamento do mercado
O mercado imobiliário entrou em 2026 com sinais de desaceleração, com o número de casas vendidas a cair cerca de 8% no primeiro trimestre, apesar do aumento do volume total de vendas, segundo dados da Century 21 Portugal.
Entre Janeiro e Março, a rede registou um volume de transacções de 1,138 milhões de euros, mais 9% do que no mesmo período de 2025. Ainda assim, a redução no número de negócios confirma uma mudança de ciclo, já visível no final do ano passado. Janeiro e Fevereiro evidenciaram uma desaceleração mais acentuada, enquanto março trouxe sinais de estabilização da actividade.
Descida do valor médio das transacções
O preço médio de venda fixou-se nos 276.163 euros, o que representa uma subida de 22% em termos homólogos. No entanto, face ao último trimestre de 2025, verificou-se uma descida do valor médio das transacções, apontando para maior contenção nos preços e contrariando a tendência de crescimento contínuo.
No segmento de arrendamento, o número de contratos aumentou 6%, reflectindo uma maior procura por alternativas à compra num contexto de maior pressão financeira sobre as famílias. A facturação da rede ascendeu a 30,8 milhões de euros, mais 2% em termos anuais, evidenciando alguma resiliência do sector.
De acordo com Ricardo Sousa, CEO da Century 21 Portugal, "os dados do primeiro trimestre confirmam um mercado mais condicionado pelo poder de compra. A desaceleração não resulta de uma quebra estrutural da procura, mas sim de uma tomada de decisão mais lenta e um desfasamento crescente entre preços e rendimentos. Quem continua a mover o mercado são os portugueses, sobretudo através da troca de casa."
Mercado internacional perde relevância
Os dados indicam também uma perda de peso do investimento estrangeiro. No primeiro trimestre, compradores internacionais representaram 13% das transacções, enquanto residentes em Portugal concentraram 87% das compras, o valor mais elevado desde 2019. Entre os investidores estrangeiros, os Estados Unidos lideraram (32%), seguidos por França, Reino Unido e Suíça.
Para os próximos meses, a Century 21 antecipa a continuação de um ritmo mais contido, com o número de transacções a manter-se em desaceleração no segundo trimestre e os preços a estabilizarem, ainda que com diferenças regionais.
"Os fundamentos do mercado, emprego, acesso ao crédito e confiança das famílias, permanecem sólidos. A procura não desaparece; apenas se adapta. Um agravamento significativo só seria expectável se a Euribor subisse de forma sustentada acima de 3,5% ou se o desemprego se aproximasse dos 8%.", sublinha Ricardo Sousa
















