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Construção lidera criação de empresas num mercado de trabalho com máximos históricos

Imagem de Pawel Szymczuk em Pixabay

Construção lidera criação de empresas num mercado de trabalho com máximos históricos

19 de fevereiro de 2026

O mercado de trabalho português encerrou 2025 com novos máximos históricos de população activa e emprego, mas mantém um desafio estrutural: 29,2% dos trabalhadores têm baixo nível de qualificação, o dobro da média da União Europeia. Os dados constam do relatório do quarto trimestre divulgado pela Randstad Research, com base no Inquérito ao Emprego do INE.

No final do ano, a população activa atingiu 5,67 milhões de pessoas, enquanto o número de empregados subiu para 5,34 milhões, ambos os valores mais elevados da série histórica. A taxa de desemprego manteve-se nos 5,8%, abaixo da média europeia (6%), com menos 11,4% de desempregados face ao período homólogo.


Construção destaca-se na criação de novos negócios

No plano empresarial, a Construção foi o sector mais dinâmico em 2025, com 6.799 novas empresas constituídas, liderando entre as 50.263 novas sociedades criadas no país. No mesmo período, registaram-se 13.589 dissoluções.

Apesar do dinamismo na criação de empresas, as perspectivas para o início de 2026 apontam para maior prudência no sector da Construção, que ajustou em baixa as expectativas de contratação para o próximo trimestre.


Foto de Scott Blake na Unsplash


Baixas qualificações continuam a marcar o mercado

Embora 35,8% da população activa tenha ensino superior — grupo que apresenta a taxa de actividade mais elevada (83,8%) — quase três em cada dez trabalhadores têm apenas o ensino secundário obrigatório ou menos, reflectindo um mercado de trabalho com forte assimetria de qualificações – refere o relatório da Randstad Research.

Entre os trabalhadores por conta de outrem, 85,5% têm contrato sem termo, enquanto o emprego temporário recuou para 14,5%. No sector público, o emprego ultrapassou os 766 mil trabalhadores, também um máximo histórico.


Teletrabalho volta a crescer

No quarto trimestre, o teletrabalho aumentou em 93 mil pessoas, abrangendo 1,13 milhões de trabalhadores (21,2% do total). O regime híbrido consolidou-se como o modelo dominante. A Grande Lisboa e a Península de Setúbal concentram as taxas mais elevadas.
Apesar do crescimento do emprego e do dinamismo empresarial — com particular destaque para a Construção — os dados evidenciam a necessidade de reforçar a qualificação da força de trabalho, num contexto de exigências crescentes de produtividade e competitividade no sector.