
Manuel Reis Campos, presidente da AICCOPN.
Construção civil satisfeita com prazos de protocolo de migração regulada, mas pede mais meios
O sector da construção civil em Portugal está satisfeito com os prazos de resposta dos serviços públicos para vistos ao abrigo do Protocolo para a Migração Laboral Regulada, mas pede um reforço de meios públicos e mais formação.
O Protocolo de Cooperação para a Migração Laboral Regulada foi uma solução concretizada no ano passado para acelerar a atribuição de vistos de trabalho a imigrantes nos países de origem, com recurso à rede diplomática portuguesa.
Em resposta à Lusa quando passa um ano da assinatura do acordo, em 1 de Abril de 2025, o presidente da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas -AICCOPN referiu que o acordo “tem registado até à data uma elevada adesão”.
“Os prazos entre a submissão dos processos e o atendimento presencial dos requerentes nos postos consulares competentes têm sido escrupulosamente cumpridos”, acrescentou Manuel Reis Campos.
Na quarta-feira, o Governo anunciou que até ao momento foram aprovados 3.328 vistos a partir dos pedidos das associações empresariais, ao abrigo deste protocolo, e no total já foram feitos 5,183 pedidos.
No caso da maior associação de construção civil do país, já foram entregues 236 processos de pedido de visto, abrangendo 1.676 trabalhadores e a “maioria destes trabalhadores já se encontra em funções em Portugal ou em fase final de colocação”.
Este processo tem registado uma “adesão crescente das empresas” e a maior parte dos pedidos abrange trabalhadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (especialmente Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, Moçambique e Brasil).
Também se nota “um recrutamento expressivo na América Latina, com particular incidência na Colômbia e no Peru”, a par de um “número significativo” de outros países, como Marrocos, Senegal, Paquistão ou Índia.
“O interesse neste procedimento tem-se intensificado, resultando num volume crescente de pedidos por parte das empresas do sector”, referiu o dirigente, num momento em que a “carência de mão-de-obra é transversal em Portugal a vários setores e afeta quase todas as regiões do país”.
O comboio de tempestades que assolou o centro do país e as inundações noutros locais levam Reis Campos a salientar a “relevância estratégica redobrada” do protocolo, “ao viabilizar uma resposta imediata às necessidades do mercado, garantindo a legalidade do recrutamento e promovendo a integração dos trabalhadores estrangeiros”.
“Actualmente, estima-se um défice de 80 a 90 mil profissionais no sector da construção, um factor que condiciona a capacidade de resposta das empresas” face à procura.
Hoje, considerou Reis Campos, “escasseiam profissionais em diversas áreas, nomeadamente técnicos de painéis solares, encarregados, soldadores, eletricistas, condutores-manobradores, pedreiros, ladrilhadores, canalizadores, serventes e até engenheiros”.
O protocolo “não solucionará, por si só, o problema estrutural da falta de mão-de-obra na sua totalidade”, notou.
Por isso, é “imperativo, por um lado, dotar as entidades estatais competentes”, como a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), de “maiores meios técnicos e humanos para responder à procura atual”.
Por outro, é importante “adoptar uma estratégia de política pública integrada, que concilie a necessária integração dos imigrantes com políticas ativas de formação, reconversão e valorização do capital humano nacional”.
Nesse sentido, o dirigente da associação pede mais apoio às empresas na qualificação dos quadros e junto dos centros de formação dedicados, para “expandir a sua capacidade formativa e alinhar as políticas de formação profissional com as reais exigências do mercado”.
Além disso, defendeu, é “necessário fomentar as carreiras técnico-profissionais, através do financiamento de cursos pós-secundários em universidades e centros de formação”, entre outras instituições.
Em resposta à Lusa, fonte oficial da Secretaria de Estado da Presidência e Imigração referiu que o "balanço é positivo" e que o sucesso não se mede pela quantidade de vistos emitidos, mas pela capacidade do Estado de “responder às necessidades das empresas (cerca de 21 dias) e pela procura crescente deste instrumento".
A maioria dos imigrantes que entraram ao abrigo deste mecanismo concentram-se na agricultura (cerca de 60%) e construção e imobiliário (40%), mas a "procura tem sido crescente noutros setores como no comércio/serviços e indústria, à medida que a eficiência deste canal regulado de imigração se tem tornado evidente", salientou a mesma fonte.
Com o fim da manifestação de interesse, um recurso jurídico que permitia autorização de residência de quem entrasse no país sem visto laboral, o visto de trabalho passou a ser a única forma de estar legal em Portugal através de contratação para um emprego.
LUSA/DI














