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Maleo Living

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Corporate housing ganha terreno: Empresas procuram soluções flexíveis para alojar talento em Lisboa

30 de abril de 2026

A Maleo Offices lançou recentemnete o Maleo Living, um novo conceito de corporate housing em Lisboa, pensado para responder às novas dinâmicas de trabalho híbrido e mobilidade profissional.

O projecto estreia-se no Lumiar, com apartamentos mobilados e equipados, que incluem áreas de home office e acesso a serviços como utilities e business lounges. A operação será assegurada pela GuestReady.

A iniciativa pretende integrar habitação e trabalho num único modelo, simplificando a experiência de empresas e profissionais em mobilidade.

O Diário Imobiliário falou com Nishel Rajani, CEO da Maleo Offices e Rui Silva, Diretor Geral GuestReady Portugal, para perceber o objectivo do projecto e as perspectivas de sucesso deste conceito.


O corporate housing vai deixar de ser um nicho para se tornar uma categoria estruturada, sobretudo nas principais cidades

Nishel Rajani, CEO da Maleo Offices

Viver e trabalhar no mesmo local é para Nishel Rajani, CEO da Maleo Offices uma necessidade actual para quem já usufrui do trabalho híbrido. 

O que motivou a criação do Maleo Living e que lacuna identificou no mercado?

O Maleo Living nasce de uma clara necessidade comum que encontramos no dia a dia dos nossos clientes corporativos, empresas com dificuldade em alojar talento temporário, internacional ou em mobilidade, com soluções flexíveis, previsíveis e com qualidade.

O mercado oferece essencialmente duas opções: arrendamento tradicional, pouco flexível, ou alojamento turístico, pouco adequado a estadias de médio prazo. Existe uma clara lacuna no meio: soluções profissionais, prontas a usar, com serviços incluídos e pensadas para estadias de semanas a meses.

Como marca de referência em serviced e flex offices, decidimos expandir para a área do flex living, com a mesma cultura de serviço ao cliente que o mercado se tem acostumado a ver na Maleo.

De que forma este projeto se integra na estratégia global da Maleo Offices?

É uma extensão natural daquilo que já fazemos. A Maleo sempre trabalhou em torno da experiência do utilizador no trabalho. Agora, estamos a expandir essa lógica para uma forma híbrida de olhar para a habitação e local de trabalho.

Os nossos clientes não precisam apenas de escritórios, precisam de soluções completas que acompanhem a mobilidade das suas equipas. O Maleo Living reforça a nossa proposta de valor como parceiro operacional das empresas, não apenas como fornecedor de espaço.

Considera que o corporate housing pode tornar-se um novo segmento relevante no imobiliário em Portugal?

Sim, claramente. Portugal continua a atrair talento internacional, projectos tecnológicos e investimento estrangeiro. Isso gera uma necessidade crescente de soluções de habitação flexíveis e profissionais.

Acreditamos que o corporate housing vai deixar de ser um nicho para se tornar uma categoria estruturada, sobretudo nas principais cidades. Ainda está pouco desenvolvido em Portugal, o que representa uma oportunidade significativa.

Por que escolheram o Lumiar para lançar este conceito?

O Lumiar oferece um equilíbrio muito interessante, como a proximidade ao centro, boas acessibilidades, e uma envolvente mais tranquila e habitacional.

Além disso, permite-nos desenvolver um produto com melhor relação qualidade/preço e com espaço para crescer, algo mais difícil em zonas mais centrais e saturadas.

Existem planos concretos para replicar o Maleo Living noutras localizações?

Sim, faz parte do plano desde o início. Estamos a validar o modelo neste primeiro projeto, mas já identificámos outras localizações com potencial, tanto em Lisboa como noutras cidades com forte dinâmica empresarial.

A expansão será feita de forma criteriosa, garantindo consistência na experiência e na operação, pois temos uma forte marca a defender.

Que escala ambicionam atingir com este modelo?

Ambicionamos criar um portefólio relevante, com várias centenas de unidades no médio prazo.

Mais do que escala pela escala, queremos construir uma operação sólida, com processos eficientes e uma marca reconhecida pela qualidade e fiabilidade, à semelhança do que fizemos nos escritórios.

Como avalia o impacto da crise da habitação neste tipo de soluções?

A crise da habitação torna evidente a necessidade de novos modelos, bem como o envolvimento das empresas na criação de soluções para os seus colaboradores. O arrendamento tradicional está cada vez mais inacessível e menos flexível, especialmente para quem precisa de soluções temporárias.

O corporate housing não resolve o problema estrutural da habitação, mas responde a um segmento específico - pessoas em mobilidade - de forma mais eficiente e organizada.

O Maleo Living pode ajudar empresas a resolver problemas de mobilidade e retenção de talento?

Sem dúvida. A disponibilidade de alojamento adequado é hoje um factor crítico para atrair e reter talento, especialmente internacional.

Ao oferecer uma solução simples, pronta e com serviços incluídos, reduzimos fricção para as empresas e melhoramos significativamente a experiência dos colaboradores que se encontram em processos de mudança. Quando refiro “soluções simples”, levamos isso muito a sério, como, por exemplo, o facto de qualquer cliente corporativo Maleo Offices poder “subscrever” um apartamento Maleo Living com uma simples aceitação de proposta ou nota de encomenda, sem burocracias, e com facturação simplificada no final do mês.

Que tipo de procura têm registado até agora?

Temos registado interesse sobretudo de empresas com equipas internacionais, consultoras, tecnologia e projectos com estruturas temporárias em Lisboa.

Também vemos procura individual de profissionais deslocados por períodos intermédios.

Embora ainda estejamos numa fase inicial, os sinais são muito positivos e claramente validam a necessidade que identificámos.



Portugal tornou-se um destino cada vez mais relevante para empresas internacionais, seja pela instalação de novos centros de operações, seja pela crescente mobilidade de quadros

Rui Silva, Director Geral GuestReady Portugal

Para Rui Silva, Director Geral GuestReady Portugal, no corporate housing o perfil do residente é distinto. São profissionais em mobilidade, frequentemente enviados por empresas, que precisam de uma habitação funcional por semanas ou meses. Isso muda as prioridades.

Qual é o papel da GuestReady na operação do Maleo Living?

A GuestReady é o parceiro de gestão operacional do Maleo Living, responsável pela operação do dia-a-dia: desde a preparação e manutenção dos apartamentos à gestão das reservas, check-in, limpeza e suporte aos residentes. Somos uma full hospitality company, gerimos cerca de 2000 unidades em Portugal, desde alojamento local a estadias de média duração e boutique hotéis, e trazemos para o Maleo Living toda essa infraestrutura e experiência. O nosso papel é garantir que cada residente tem uma experiência consistente e de qualidade, seja uma estadia de três semanas ou de seis meses.

Que diferenças existem entre gerir corporate housing e alojamento local tradicional?

São produtos com lógicas diferentes, embora a base operacional seja comum. No alojamento local tradicional o foco está na rotatividade, estadias curtas, check-insfrequentes, gestão de múltiplas plataformas de distribuição. No corporate housing o perfil do residente é distinto. São profissionais em mobilidade, frequentemente enviados por empresas, que precisam de uma habitação funcional por semanas ou meses. Isso muda as prioridades, a consistência do serviço ganha mais peso, a relação com o cliente é mais próxima e os requisitos práticos, como a internet de alta velocidade, espaço de trabalho, cozinha equipada ou faturação corporativa, passam para o centro da proposta. A boa notícia é que a infraestrutura que construímos para gerir unidades de qualidade superior aplica-se muito bem a este modelo.

Que desafios operacionais são mais relevantes neste tipo de produto?

O principal desafio é a consistência a um nível mais exigente. Um profissional que chega de Paris ou Frankfurt para uma estadia de seis semanas tem expectativas de hotel de negócios, quer que tudo funcione desde o primeiro dia e que qualquer problema seja resolvido rapidamente. Isso pressiona a manutenção, o suporte e a qualidade dos equipamentos de uma forma diferente do alojamento local tradicional. Há também a complexidade da facturação B2B, as empresas têm processos de procura e aprovação que exigem rigor administrativo. E há a gestão da relação comercial; uma má experiência pode comprometer não uma reserva, mas toda uma conta corporate.

De que forma a experiência da GuestReady contribui para a qualidade do serviço prestado?

A GuestReady é uma full hospitality company com quase uma década de operação em Portugal. Em 2025 recebemos mais de 250 mil hóspedes nas cerca de 2000 unidades que gerimos, desde arrendamentos de curta duração a estadias corporativas e boutique hotéis. Essa escala e diversidade de produto obrigou-nos a construir processos e uma plataforma tecnológica calibrados para a exigência. O nosso suporte funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, em vários idiomas, essencial quando tratamos com profissionais de diferentes países. Temos equipas locais em Lisboa, Porto, Madeira e Açores. Toda essa infraestrutura está agora ao serviço do Maleo Living.

Que tipo de serviços são hoje essenciais para responder às expectativas dos profissionais em mobilidade?

A lista é mais curta do que se pensa, mas não há margem para falhas: internet de alta velocidade e fiável, espaço de trabalho confortável, cozinha totalmente equipada, limpeza regular, suporte rápido quando algo corre mal e flexibilidade nos processos de entrada e saída. A facturação simplificada para empresas é também um factor crítico. Muitos gestores de mobilidade escolhem fornecedores pela facilidade administrativa tanto quanto pela qualidade do produto. E cada vez mais os profissionais valorizam a localização, querem estar no centro da cidade, com acesso fácil aos transportes.

Como garantem consistência e eficiência na gestão destes ativos?

Através de tecnologia e processos estandardizados. Gerir cerca de 2000 unidades de tipologias diferentes, de curta duração a média duração, corporate e boutique hotéis, obrigou-nos a construir uma plataforma que monitoriza o estado de cada unidade em tempo real, como limpezas, manutenções, ocupação, avaliações. Temos protocolos operacionais para cada momento (entrada, saída, inspeção periódica) e métricas que nos permitem identificar desvios antes que se tornem problemas. É esse sistema que aplica ao Maleo Living o mesmo nível de exigência que aplicamos ao resto do portefólio.

Tem aumentado a procura por soluções flexíveis de alojamento em Portugal?

Claramente sim. Portugal tornou-se um destino cada vez mais relevante para empresas internacionais, seja pela instalação de novos centros de operações, seja pela crescente mobilidade de quadros. Lisboa em particular tem atraído profissionais de toda a Europa e América Latina. Em paralelo, a pandemia normalizou o trabalho remoto e criou um perfil de cliente, o profissional que trabalha a partir de uma cidade diferente por períodos de semanas a meses. Este segmento está a crescer de forma consistente.

Este segmento pode crescer de forma sustentada ou depende de factores conjunturais?

A minha convicção é que estamos perante uma tendência estrutural, não conjuntural. O aumento da mobilidade internacional de quadros, a flexibilização dos modelos de trabalho e o crescimento de Portugal como hub europeu são dinâmicas de médio e longo prazo. O que pode variar é o ritmo; há factores como ciclos económicos ou legislação que podem acelerar ou travar marginalmente o crescimento. Mas o produto responde a uma necessidade real e crescente, de habitação temporária de qualidade, com serviços, para profissionais que não querem - ou não podem - comprometer-se com arrendamentos tradicionais.

Portugal está preparado para acompanhar esta tendência internacional?

Estamos a preparar-nos, mas ainda há caminho a percorrer. A oferta de hospitality de qualidade para profissionais em mobilidade, corporate housing, estadias de média duração, boutique hotéis com serviços, ainda é limitada em Portugal face à procura que se antecipa. Falta produto gerido com padrões profissionais, desde uma noite até seis meses. É precisamente aqui que iniciativas como o Maleo Living fazem sentido, pois criam uma oferta estruturada e consistente, que coloca Portugal a par dos mercados europeus mais maduros. A GuestReady, como full hospitality company com cerca de 2000 unidades em gestão, está posicionada para liderar essa transição.