Logo Diário Imobiliário
CONSTRUÍMOS
NOTÍCIA
Brain PowerHaierJPS Group 2024Porta da Frente
Actualidade
Construcao - Foto DI

Construcao - Foto DI

Construção abranda no arranque de 2026, mas crédito e preços continuam a subir

30 de abril de 2026

O sector da construção arrancou 2026 com sinais de desaceleração, evidenciados pela quebra do consumo de cimento e pela redução da actividade de licenciamento. Ainda assim, o mercado da habitação continua a revelar dinamismo do lado do financiamento e dos preços, revela a Síntese Estatística da Habitação, divulgada hoje pela AICCOPN.

Nos primeiros dois meses do ano, o consumo de cimento caiu 9,8% em termos homólogos, fixando-se nas 561 mil toneladas, reflectindo um abrandamento da actividade construtiva. Esta tendência é acompanhada pela diminuição do número de licenças para projetos de construção e reabilitação habitacional, que totalizaram 3.075, menos 15,9% face ao mesmo período de 2025.

Também o volume de novos fogos licenciados registou uma queda de 13,3%, para 6.230 alojamentos, comparando com os 7.184 licenciados no período homólogo, reforçando os sinais de arrefecimento na oferta futura.

Crédito à habitação cresce com descida das taxas

Em sentido contrário, o crédito à habitação continua a crescer. Até ao final de Fevereiro, o montante de novos empréstimos — excluindo renegociações — aumentou 7,3% em termos homólogos, atingindo 3.455 milhões de euros.

Este desempenho é suportado pela descida das taxas de juro, que em Fevereiro se fixaram em 3,08%, menos 75 pontos base face ao mesmo período do ano anterior, contribuindo para aliviar o custo do financiamento às famílias.

Preços mantêm valorização expressiva

Os preços da habitação continuam a subir de forma significativa. O valor mediano de avaliação bancária registou uma valorização homóloga de 17,2% em fevereiro, com destaque para os apartamentos, que cresceram 21,9%. Já as moradias apresentaram uma subida mais moderada, de 13,5%.

Algarve acelera acima da média nacional

No Algarve, a dinâmica difere da tendência nacional ao nível do licenciamento. Nos 12 meses terminados em Fevereiro de 2026, foram licenciados 1.885 fogos em construções novas, mais 15% do que no período homólogo.

A distribuição por tipologias mostra um predomínio de T2 (33%) e T3 (30%), seguidos de T0 e T1 (24%) e de T4 ou superiores (13%).

Também ao nível dos preços, a região algarvia superou a média nacional, com uma valorização homóloga de 19%, acima dos 17% registados no conjunto do país.

Mercado dividido entre oferta e procura

Os dados confirmam um mercado a duas velocidades: enquanto a construção e o licenciamento dão sinais de abrandamento, o crédito e os preços continuam a crescer, sustentados pela descida das taxas de juro e pela persistente pressão da procura sobre uma oferta ainda limitada.