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Um plano de urbanização do Vale de Santo António, em Lisboa. Maqueta de 2017

Um plano de urbanização do Vale de Santo António, em Lisboa. Maqueta de 2017

Câmara de Lisboa avança com operação para reabilitar Vale de Santo António

20 de fevereiro de 2026

A Câmara de Lisboa aprovou hoje a proposta final de delimitação da Área de Reabilitação Urbana (ARU) do Vale de Santo António, onde se prevê a construção de 2.400 fogos para arrendamento acessível, numa área com 48 hectares.

Sob proposta do vereador do Urbanismo, Vasco Moreira Rato (independente indicado pelo PSD), o executivo camarário viabilizou, em simultâneo com a delimitação da ARU do Vale de Santo António, a correspondente Operação de Reabilitação Urbana (ORU) sistemática, e decidiu mandatar a empresa municipal SRU – Sociedade de Reabilitação Urbana como entidade gestora, mediante a celebração de contrato de mandato.

A proposta foi aprovada em reunião privada do executivo municipal, informou à Lusa fonte oficial da autarquia, sem adiantar detalhes sobre o sentido de voto das diferentes forças políticas, indicando que o documento foi votado por pontos.

Segundo a proposta, que tem de ser submetida à Assembleia Municipal, “a delimitação da ARU do Vale de Santo António, e correspondente ORU, decorre da necessidade de reconverter um território degradado e obsoleto, ao nível do edificado, das infraestruturas, dos equipamentos, dos espaços verdes e dos espaços públicos urbanos”.

No documento, a que a Lusa teve acesso, o vereador do Urbanismo refere que a ORU sistemática, em alternativa à ORU simples, é a que “melhor assegura uma intervenção integrada” de reabilitação urbana que, associada a um programa de investimento público, se dirige tanto à reabilitação e regeneração do edificado, como à qualificação das infraestruturas e espaços de utilização coletiva, e à dignificação da qualidade de vida dos moradores.

Em causa está o Plano de Urbanização do Vale de Santo António, com uma área de 48 hectares, que abrange três das 24 freguesias da cidade, nomeadamente Penha de França, Beato e São Vicente.

De acordo com Vasco Moreira Rato, a ORU sistemática que se propõe para a área do Plano de Urbanização do Vale de Santo António será desenvolvida “num horizonte temporal de 12 anos”, tendo como base sete premissas, como a implementação de uma estrutura comunitária coesa, onde o uso predominante de habitação é complementado por comércio, serviços e uma rede abrangente de equipamentos.

Antes desta proposta final de delimitação da ARU do Vale de Santo António, o projeto de ORU sistemática esteve em discussão pública, em que “não foram registadas participações nem endereçadas quaisquer questões”, mantendo-se “inalterada” a proposta aprovada pela câmara em maio de 2025, lê-se no documento, que refere ainda que o projecto teve já o parecer favorável, ainda que não vinculativo, do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU).

Nesta reunião, também sob proposta da governação PSD/CDS-PP/IL, a câmara decidiu, com os votos contra de Livre e Chega, que a reabilitação da Tapada das Necessidades transite da Associação de Turismo de Lisboa (ATL) para a esfera do município, bem como a revogação da transferência do investimento previsto de 19,26 milhões de euros, considerando o espaço importante para promover outras áreas que “extravasam o estrito interesse turístico”.

Segundo fonte do município, com a abstenção de PS e Livre foi aprovada também a alteração de repartição de encargos para a reabilitação do túnel da Avenida João XXI, que foi aprovada em 2021 e adjudicada em 2022, mas cujas obras ainda não arrancaram, prevendo-se que se iniciem em Abril deste ano e se prolonguem até 2028, pelo valor total de 7,6 milhões de euros.

Actualmente, a Câmara de Lisboa é presidida pelo reeleito Carlos Moedas (PSD), que não conseguiu maioria absoluta, mas conquistou-a depois ao integrar na governação da cidade uma vereadora que se desfiliou do Chega.

Além de oito eleitos de PSD/CDS-PP/IL (incluindo o presidente) e de uma independente ex-Chega, entre os 17 membros que compõem o executivo municipal há quatro vereadores do PS, um do Livre, um do BE, um do PCP e um do Chega.

LUSA/DI