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Savills prevê retoma do investimento imobiliário global após adiamento de operações
O investimento imobiliário global deverá recuperar nos próximos meses, depois de um primeiro trimestre marcado pelo adiamento de decisões de investimento devido ao agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente. A previsão é da Savills, que estima um aumento de cerca de 18% nas transacções pendentes durante o segundo trimestre de 2026.
De acordo com uma análise de Oliver Salmon, o abrandamento registado nos primeiros meses do ano não reflecte uma quebra estrutural da procura, mas sim o adiamento de operações perante um contexto de maior incerteza económica e política.
No início de 2026, o mercado imobiliário comercial dava sinais de recuperação, apoiado pela melhoria da confiança dos investidores na segunda metade de 2025. Contudo, a escalada do conflito no Médio Oriente, no final de Fevereiro, provocou um aumento dos preços da energia e levantou novas dúvidas sobre a evolução da inflação, das taxas de juro e do crescimento económico global.
Segundo a consultora, muitas operações foram colocadas em espera durante Março, criando a percepção de uma desaceleração da actividade. Ainda assim, a Savills considera que o pipeline de investimento permanece robusto e que a maioria dos negócios foi apenas adiada.
A análise enquadra esta evolução num período de elevada volatilidade que tem marcado os mercados globais desde o início da década. A pandemia de Covid-19, a guerra na Ucrânia, as novas tarifas comerciais dos Estados Unidos e, mais recentemente, o conflito envolvendo o Irão contribuíram para aumentar a incerteza e alterar os padrões tradicionais de comportamento dos mercados financeiros.
Apesar deste cenário, a Savills destaca a resiliência do imobiliário como classe de activos. A consultora refere que os investidores têm demonstrado maior predisposição para permanecer no mercado, optando por ajustar estratégias e gerir o risco de forma mais activa, em vez de suspenderem totalmente os investimentos.
O imobiliário continua, segundo a análise, a beneficiar do facto de ser um activo tangível e escasso, capaz de gerar fluxos de rendimento relativamente estáveis através das rendas, mesmo em períodos de maior volatilidade nos valores de mercado.
A consultora sublinha ainda que o sector mantém uma correlação historicamente reduzida com outras classes de activos, nomeadamente as acções, reforçando o seu papel nas estratégias de diversificação e de investimento de longo prazo.
Para a Savills, o mercado atravessa actualmente uma fase de reajustamento de preços, expectativas de rentabilidade e condições de financiamento, mas os fundamentos necessários para uma recuperação da actividade permanecem intactos.
Com base nas operações em curso e nas expectativas de estabilização do contexto geopolítico, a consultora prevê que as transacções pendentes aumentem cerca de 18% no segundo trimestre de 2026 face ao trimestre anterior, antecipando uma reactivação gradual do investimento imobiliário global à medida que a incerteza diminua.
















