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Ocupação de escritórios abranda em Lisboa, mas Porto acelera no primeiro semestre

15 de julho de 2026

A ocupação de escritórios em Lisboa recuou 20% no primeiro semestre de 2026 face ao mesmo período do ano passado, totalizando 66.900 metros quadrados, enquanto o Porto contrariou esta tendência e registou um crescimento de 46%, com uma absorção de 15.850 metros quadrados. Os dados constam do mais recente Office Flashpoint da JLL, que aponta para um mercado resiliente, apesar da conjuntura económica mais desafiante.

Segundo Bernardo Vasconcelos, Head of Office Leasing da JLL, o mercado continua a demonstrar capacidade de adaptação num contexto marcado pela alteração das políticas monetárias, pela inflação e pelo abrandamento das perspetivas de crescimento económico.

"O mercado de escritórios tem demonstrado resiliência num contexto marcado por alterações das condições macroeconómicas. Ainda assim, Lisboa continua abaixo dos níveis de atividade registados em 2025 e, no Porto, apesar da recuperação em curso, a evolução acontece sobre uma base de ocupação historicamente mais comprimida", afirma o responsável.

Apesar da desaceleração em Lisboa, a consultora acredita que o segundo semestre poderá recuperar parte da actividade perdida. "As perspectivas para a segunda metade do ano são positivas, prevendo-se uma aceleração da actividade ocupacional que permita encerrar 2026 com níveis de take-up alinhados com os padrões observados nos últimos anos", acrescenta Bernardo Vasconcelos.

Tecnológicas continuam a liderar a procura

Na capital foram concretizadas 80 operações durante o primeiro semestre, das quais 18 envolveram áreas superiores a mil metros quadrados. As empresas dos sectores de Tecnologia, Media, Telecomunicações e Utilities (TMT & Utilities) mantiveram-se como o principal motor do mercado, representando 38% da área ocupada.

Em termos geográficos, as Novas Áreas de Escritórios (Zona 3) concentraram 40% da ocupação, consolidando-se como a localização mais procurada pelas empresas.

No Porto realizaram-se 26 operações, incluindo três transacções superiores a mil metros quadrados. A Zona 5 (Outras Zonas do Porto) concentrou 39% da ocupação semestral.

Também aqui as empresas de TMT & Utilities lideraram a procura, representando 35% da área ocupada, embora as entidades públicas, europeias e associações tenham assumido um peso igualmente relevante, respondendo por 39% do mercado.

A dimensão média das operações foi de 836 metros quadrados em Lisboa e de 610 metros quadrados no Porto.

Junho confirma abrandamento

O mês de Junho evidenciou uma desaceleração da atividade nos dois mercados.

Em Lisboa, a ocupação totalizou apenas 8.064 metros quadrados, enquanto no Porto se fixou nos 1.490 metros quadrados, traduzindo uma quebra homóloga de 52% em ambas as cidades.

Na capital, o Prime CBD concentrou 37% da actividade mensal, mantendo as empresas tecnológicas como principal segmento ocupante, com 39% da área contratada.

Já no Porto, o CBD da Boavista foi responsável por três quartos da ocupação registada durante o mês, enquanto o sector de Consultores e Advogados liderou a procura, representando 67% da área ocupada.

Procura privilegia espaços prontos a ocupar

Um dos principais sinais identificados pela JLL é a crescente preferência das empresas por escritórios disponíveis para ocupação imediata.

Todas as operações realizadas em Junho — 14 em Lisboa e cinco no Porto — corresponderam precisamente a esta necessidade, evidenciando uma procura cada vez mais orientada para espaços totalmente preparados para utilização.

A JLL destaca ainda o seu papel no mercado, tendo participado em duas das três maiores operações de ocupação realizadas em Lisboa durante junho, incluindo a maior transacção do mês: a instalação de uma empresa de software que ocupou 2.250 metros quadrados no Prime CBD.