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Interior ganha terreno na procura por casas para arrendar, enquanto Lisboa perde protagonismo
A procura por casas para arrendar em Portugal está a mudar de geografia. Embora a Área Metropolitana de Lisboa continue a concentrar alguns dos mercados mais pressionados, são cada vez mais os municípios do interior que surgem entre os destinos mais procurados pelos inquilinos, beneficiando de rendas mais acessíveis. A conclusão é dos dados do segundo trimestre de 2026 do idealista, que revelam que, em 31 dos 50 concelhos mais procurados para arrendamento, a renda mediana permanece abaixo dos 1.000 euros por mês.
A Amadora lidera atualmente o ranking nacional dos municípios mais procurados para arrendar casa, seguida da Trofa e de Vila Franca de Xira. Curiosamente, Lisboa deixou de integrar esta lista, um reflexo do peso crescente dos preços na capital e da procura por alternativas mais acessíveis nas zonas periféricas.
Nos arredores de Lisboa, o efeito da subida das rendas continua evidente. Entre os municípios do distrito presentes no top 50, apenas Alenquer, com uma renda mediana de 983 euros, e Azambuja, com 938 euros, mantêm valores inferiores aos mil euros mensais. Já Sintra apresenta a renda mediana mais elevada entre os concelhos mais procurados, atingindo os 1.651 euros por mês, seguida por Arruda dos Vinhos (1.466 euros) e Odivelas (1.397 euros).
No distrito do Porto, a realidade é distinta. Dos oito municípios presentes no ranking, apenas Santo Tirso ultrapassa a barreira dos mil euros mensais, enquanto a Trofa surge como o segundo concelho mais procurado do país, combinando uma renda mediana de 863 euros com uma elevada procura. Marco de Canaveses, Felgueiras, Amarante, Paredes, Valongo e Gondomar mantêm igualmente rendas abaixo desse patamar.
Interior reforça peso no mercado
Uma das principais novidades deste trimestre é a crescente presença de municípios do interior entre os mercados com maior procura por arrendamento. Concelhos como Pinhel, Moura, Campo Maior e Mirandela surgem entre os 25 mais procurados do país, com rendas significativamente inferiores às praticadas nas áreas metropolitanas.
Miranda do Douro destaca-se por apresentar a renda mediana mais baixa de todo o ranking, fixando-se nos 425 euros mensais. Campo Maior surge logo a seguir, com 454 euros, enquanto Aguiar da Beira apresenta uma renda mediana de 500 euros.
Segundo o idealista, esta evolução sugere que a procura por arrendamento começa a distribuir-se de forma mais equilibrada pelo território nacional, refletindo uma maior procura por mercados onde a habitação continua financeiramente mais acessível.
Algarve mantém preços elevados
No Algarve, a tendência continua marcada por valores elevados. Faro regista uma renda mediana de 1.519 euros mensais e Silves de 1.313 euros, figurando entre os mercados mais caros do ranking. A exceção é Monchique, onde a renda mediana se situa nos 970 euros, sendo o único município algarvio presente na lista abaixo da fasquia dos mil euros.
Mercados mais caros continuam a atrair procura
Apesar dos preços elevados, alguns dos mercados mais caros do país continuam entre os mais procurados pelos inquilinos. Sintra lidera a lista dos concelhos com rendas mais elevadas, seguida por Almada (1.589 euros), Faro (1.519 euros), Seixal (1.500 euros) e Montijo (1.475 euros).
Os dados do idealista mostram, assim, um mercado de arrendamento cada vez mais heterogéneo, onde a pressão sobre os grandes centros urbanos convive com o crescimento da procura em municípios do interior, impulsionado por preços mais competitivos e por uma maior dispersão geográfica da procura.
















