
ALLO Alcântara - Lisboa
Rendas prime de escritórios em Lisboa sobem 10,3% e colocam a capital entre os mercados europeus com maior crescimento
As rendas prime de escritórios em Lisboa aumentaram 10,3% nos 12 meses terminados em junho de 2026, colocando a capital portuguesa entre os mercados europeus com maior crescimento, num contexto marcado pela escassez de espaços de elevada qualidade. Os dados constam da mais recente edição do European Office Update, da Cushman & Wakefield.
A evolução das rendas em Lisboa ficou acima da média europeia, que se situou em 4,6%, e superou mercados como Amesterdão (+10%), Londres — com aumentos de 7,7% na City e 7,3% no West End — e várias outras cidades europeias.
Apenas Roterdão (+16,7%), Birmingham (+14,3%) e Milão (+10,4%) registaram crescimentos superiores aos de Lisboa.
Procura concentra-se nos escritórios de maior qualidade
Apesar de a atividade de arrendamento no primeiro semestre de 2026 ter ficado 9% abaixo da média dos últimos cinco anos, a procura continua fortemente concentrada nos edifícios de maior qualidade.
Os escritórios Grade A representaram 51% de toda a área arrendada na Europa, enquanto a taxa de disponibilidade deste tipo de ativos se manteve em apenas 3,3%.
Em Lisboa, a escassez é ainda mais acentuada. A disponibilidade de escritórios Grade A não ultrapassa os 0,7%, um dos níveis mais baixos entre os mercados analisados.
Esta situação está a levar os ocupantes a antecipar as suas decisões imobiliárias para assegurar espaços nas melhores localizações e edifícios.
"Com a redução do pipeline de desenvolvimento e a disponibilidade de escritórios Grade A a permanecer extremamente limitada, os ocupantes terão de antecipar muito mais as suas estratégias imobiliárias do que em ciclos anteriores", afirma Javier Bernades, Head of Offices EMEA da Cushman & Wakefield.
Pipeline de promoção em mínimos desde 2014
A pressão sobre a oferta deverá manter-se nos próximos anos. O pipeline de promoção de escritórios na Europa caiu 19% num ano, para 8,4 milhões de metros quadrados, o nível mais baixo desde 2014.
A construção especulativa, realizada sem ocupação previamente garantida, atingiu também o nível mais baixo da última década, limitando a entrada de nova oferta nos principais mercados.
Para António Almeida Ribeiro, Head of Office Agency Portugal da Cushman & Wakefield, Lisboa continua a beneficiar da procura por parte de empresas internacionais.
"Lisboa continua a reforçar a sua posição como destino de referência para empresas internacionais, sustentando uma procura sólida por escritórios de elevada qualidade", afirma. Segundo o responsável, a escassez de oferta Grade A e o reduzido pipeline de desenvolvimento deverão continuar a pressionar o desempenho dos melhores ativos.
Investimento recupera e financiamento melhora
A dinâmica do mercado de ocupantes é acompanhada por uma recuperação do investimento. O volume de investimento em escritórios na Europa atingiu 22 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2026, apenas 1% abaixo do período homólogo, apesar da persistência da incerteza geopolítica.
O mercado registou ainda o terceiro trimestre consecutivo com uma transação superior a 500 milhões de euros. Entre as operações de maior dimensão destacou-se a aquisição do edifício 1 Churchill Place, em Londres, pelo Barclays, por 866 milhões de euros.
Também as condições de financiamento estão a melhorar. Segundo a Cushman & Wakefield, aumentou o número de instituições financeiras a disputar oportunidades no setor, contribuindo para a redução dos spreads e para o regresso de financiamentos que podem atingir 60% do valor dos ativos.
A consultora antecipa que a combinação entre a procura resiliente dos ocupantes, a limitada promoção de novos espaços e melhores condições de financiamento deverá continuar a sustentar o mercado de escritórios europeu.
Para Lisboa, a reduzida disponibilidade de espaços Grade A poderá manter a pressão sobre as rendas prime, num mercado onde empresas e investidores disputam um número cada vez mais limitado de ativos de elevada qualidade.
















