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Residência Universitária Ventura Terra: arquitectura modular e vida comunitária no Campus da Ajuda

© Fernando Guerra FG+SG

Residência Universitária Ventura Terra: arquitectura modular e vida comunitária no Campus da Ajuda

26 de janeiro de 2026

Inaugurada a 21 de Novembro de 2024, a Residência Universitária Ventura Terra afirma-se como uma das mais relevantes intervenções recentes de alojamento estudantil em Lisboa, não apenas pela resposta à carência de camas universitárias, mas sobretudo pela clareza do seu conceito arquitectónico. Integrada no Campus da Ajuda da Universidade de Lisboa, a residência resulta de um projecto que articula densidade, economia construtiva e qualificação do espaço colectivo.



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Com capacidade total para 307 camas — reforçada por uma segunda fase financiada no âmbito do Programa Nacional de Alojamento no Ensino Superior (PNAES), com apoio do PRR — a residência serve uma área académica que concentra cerca de 9.000 estudantes, numa zona com escassa oferta de alojamento acessível. A proximidade à Faculdade de Arquitectura, à Faculdade de Medicina Veterinária e ao ISCSP reforça o seu papel estrutural no quotidiano do campus.



 

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Um edifício organizado em torno da comunidade

O projecto, do atelier CVDB-Arquitectosdesenvolve-se a partir de uma implantação compacta, condicionada pela cércea máxima e pelos limites do lote definidos em plano de pormenor. A solução passa por um edifício estruturado em quatro blocos interligados, correspondentes a duas fases de construção, organizados em torno de um pátio central comunitário. Este vazio assume um papel fundamental na iluminação, ventilação e orientação do conjunto, funcionando como coração social da residência – sublinha a memória descritiva do projecto.





A circulação interior faz-se de forma contínua, em “loop”, evitando corredores fechados e reforçando a ideia de percurso habitado. Nos pontos de encontro das alas surgem, de forma recorrente, espaços comuns — salas de estudo, zonas de estar informal, copas e lavandarias — que quebram a repetição funcional e criam momentos de pausa e sociabilidade. Estes espaços beneficiam ainda da proximidade aos núcleos de circulação vertical, localizados nas esquinas do pátio.





Modularidade como princípio de projecto

A base conceptual da residência assenta numa unidade modular correspondente a um quarto individual, a partir da qual são geradas todas as tipologias — desde quartos simples a unidades adaptadas e apartamentos T1. Esta opção permite uma forte racionalização de áreas e custos, garantindo simultaneamente flexibilidade programática e coerência construtiva.

A compactação volumétrica é compensada pela introdução de atravessamentos visuais, quer através do pátio central, quer por bolsas interiores associadas aos espaços colectivos. O piso inferior, à cota da rua mais baixa, concentra as funções de apoio e caracteriza-se por uma permeabilidade visual entre o espaço público e o interior do edifício, reforçando a relação com a envolvente urbana.



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Viver e ver a cidade

No topo do edifício, um terraço panorâmico oferece vistas amplas sobre Lisboa e o estuário do Tejo, acrescentando uma dimensão paisagística rara em residências universitárias. A residência inclui ainda quartos adaptados, vigilância permanente e infraestruturas digitais, integrando requisitos funcionais contemporâneos sem comprometer a lógica arquitectónica do conjunto.



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Mais do que um edifício de alojamento, a Residência Universitária Ventura Terra propõe um modelo arquitectónico de habitar colectivo, onde a modularidade construtiva, a clareza funcional e a centralidade do espaço comum se combinam para responder, de forma duradoura, às exigências do ensino superior e da cidade.



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