
Smiljan Radić. Foto Prémio Pritzker de 2026
Arquitecto chileno Smiljan Radić vence Prémio Pritzker 2026
O arquitecto chileno Smiljan Radić foi distinguido com o Prémio Pritzker de 2026, considerado o mais prestigiado galardão mundial da arquitectura, anunciou a organização responsável pelo prémio.
Conhecido pela sua abordagem experimental e pelo uso poético de materiais e paisagem, Radić Clarke torna-se o 55.º laureado da história do prémio. O júri destacou a capacidade do arquitecto de transformar “o não óbvio em óbvio”, criando espaços que convidam as pessoas a redescobrir a relação com o ambiente construído.
Com uma carreira de mais de três décadas, Radić fundou o seu atelierem 1995 e desenvolveu projectos que atravessam diferentes tipologias — desde instituições culturais e edifícios cívicos a residências privadas e instalações experimentais — em países como Chile, Albânia, Áustria, Croácia, França, Itália, Espanha, Suíça e Reino Unido.
Entre as obras mais conhecidas do arquitecto encontram-se a Casa para o Poema do Ângulo Reto, no Chile, e o Serpentine Gallery Pavilion 2014, em Londres, uma estrutura translúcida de fibra de vidro apoiada sobre grandes blocos de pedra que se tornou uma das intervenções mais marcantes do programa anual da Serpentine Gallery.
Arquitectura entre fragilidade e experimentação
Na justificação da escolha, o júri sublinhou que a obra de Radić se situa “na encruzilhada entre a incerteza, a experimentação material e a memória cultural”. Segundo o comunicado, os seus edifícios parecem por vezes temporários ou deliberadamente inacabados, mas oferecem espaços de abrigo que abraçam a fragilidade como parte essencial da experiência humana.
O arquitecto é conhecido por explorar uma relação intensa entre materiais — como betão, pedra, madeira e vidro — e elementos naturais como luz, vento ou paisagem. Em vários projectos, os edifícios surgem parcialmente enterrados no terreno ou orientados para responder às condições ambientais locais.
Entre os exemplos citados pelo júri estão o Restaurante Mestizo, em Santiago do Chile, integrado no terreno e na paisagem, a Casa Pite, projectada para proteger os espaços interiores do vento e da luz intensa do Pacífico, e a ampliação do Museu Chileno de Arte Pré-Colombiana, realizada através de reutilização adaptativa em vez de substituição.
Para Alejandro Aravena, presidente do júri do Pritzker e vencedor do prémio em 2016, Radić desenvolveu a sua obra “em circunstâncias exigentes, no fim do mundo”, conseguindo ainda assim criar uma arquitectura capaz de tocar o núcleo da condição humana.
Um percurso internacional
Nascido em Santiago do Chile em 1965, Radić cresceu numa família de origem croata e britânica. Formou-se na Pontifícia Universidade Católica do Chile em 1989 e prosseguiu estudos no Universidade IUAV de Veneza, em Itália.
Em 2017 criou a Fundação de Arquitectura Frágil, dedicada à investigação e à partilha pública de ideias e referências arquitectónicas que frequentemente influenciam o seu trabalho.
Ao longo da carreira, Radić tem defendido uma arquitectura que oscila entre permanência e efemeridade. “A arquitectura existe entre estruturas massivas que permanecem séculos e construções frágeis e transitórias”, afirmou o arquitecto, sublinhando que o objectivo do seu trabalho é criar experiências capazes de levar as pessoas a parar e reconsiderar o mundo à sua volta.
Criado em 1979 pela família Jay A. Pritzker e Cindy Pritzker, o Prémio Pritzker distingue anualmente arquitectos vivos cuja obra represente uma contribuição significativa para a arquitectura e para a sociedade.
Entre os vencedores anteriores figuram nomes como Álvaro Siza Vieira, laureado em 1992, Eduardo Souto de Moura, distinguido em 2011, bem como David Chipperfield, Francis Kéré e Riken Yamamoto, Jean Nouvel, João Mendes da Rocha ou a iraniana Zahara Hadid, entre muitos outros.
















