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Oferta para compra de casa recua mais de 30% mas cresce no arrendamento
Lisboa, Porto e Setúbal concentram o maior volume de anúncios e registam as quebras mais acentuadas na oferta para venda de casa, revela o Imovirtual. Já o arrendamento ganha expressão com crescimento superior a 18%.
De acordo com o portal imobiliário, a oferta de habitação em Portugal sofreu uma alteração entre 2024 e 2025, com uma quebra dos imóveis disponíveis para compra e um crescimento consistente do mercado de arrendamento. A análise dos dados do Imovirtual confirma uma mudança estrutural no mercado residencial, com impacto direto nas opções de quem procura comprar ou arrendar casa.
No total, o número de apartamentos disponíveis para compra no portal caiu mais de 30% num ano, passando de 1.524.674 anúncios em 2024 para 1.057.552 em 2025, o que representa menos 467.122 imóveis no mercado. Também a oferta de moradias para compra registou uma quebra expressiva, superior a 19%, totalizando agora 774.416 anúncios, menos 184.059 face ao ano anterior.
No segmento dos apartamentos para compra, o Porto mantém-se como o distrito com maior volume de oferta, com 362.575 anúncios em 2025, apesar de uma redução de 26,8% face ao ano anterior. Lisboa surge logo a seguir, com 251.763 apartamentos disponíveis, mas regista a quebra mais acentuada entre os grandes mercados, superior a 40%. A retração estende-se a Setúbal, que passa para 90.071 anúncios (-32,9%), e a Aveiro, com 60.088 imóveis para venda (-23%), reforçando a dificuldade crescente em encontrar oferta para compra nas zonas de maior pressão habitacional.
Em sentido inverso, o mercado de arrendamento de apartamentos continua a ganhar expressão. Lisboa lidera em volume absoluto, com 61.816 apartamentos disponíveis em 2025, um crescimento de 11,5% face a 2024. Seguem-se o Porto, com 34.010 anúncios (+20,4%), Setúbal, com 8.905 (+28,6%), Braga, com 6.902 (+33,2%), e Faro, com 6.029 apartamentos para arrendar (+5,1%). Estes distritos concentram grande parte da dinâmica do arrendamento, impulsionados pela mobilidade profissional, pressão turística e maior concentração de emprego.
O mesmo padrão é visível no segmento das moradias. No arrendamento, a oferta cresce em vários territórios, com destaque para o Porto, que soma 3.419 casas disponíveis (+14,7%), Setúbal, com 3.027 anúncios (+18,6%), e Braga, onde a oferta sobe para 1.655 moradias (+27,2%). Estes dados evidenciam um reforço da disponibilidade de moradias para arrendamento fora dos principais centros urbanos mais pressionados. Já na compra, a oferta de moradias diminui de forma generalizada: Lisboa passa a contar com 101.271 casas para venda (-25,9%), o Porto regista 107.589 anúncios (-29,1%) e Setúbal recua para 81.645 imóveis (-23,1%). Faro surge como exceção parcial, com 82.729 casas disponíveis para compra, uma ligeira subida de 1,5%, associada à resiliência do mercado turístico e à procura por segunda habitação.
“Os dados evidenciam uma mudança clara na estrutura do mercado habitacional em Portugal. A redução da oferta para compra, sobretudo nos grandes centros urbanos, contrasta com o crescimento do arrendamento, refletindo não apenas o contexto económico e financeiro, mas também novas dinâmicas de mobilidade, estilos de vida e decisões de investimento”, refere Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.
No conjunto, os dados revelam um mercado cada vez mais assimétrico, onde a oferta cresce sobretudo no arrendamento e se concentra nos principais centros urbanos, enquanto a oferta para compra encolhe de forma transversal, mesmo nos distritos historicamente mais activos. Lisboa e Porto continuam a liderar em volume absoluto, mas registam quebras expressivas na oferta para venda, sinalizando uma pressão estrutural que se estende a Setúbal, Braga e Aveiro. Em paralelo, distritos como Faro mantêm alguma resiliência, sustentada pela procura turística e de segunda habitação, reforçando a leitura de um mercado em transformação, onde a localização, o tipo de imóvel e o objectivo — viver, investir ou manter flexibilidade — são hoje factores decisivos na análise da oferta disponível.













