
Habitação
Comprar casa em Portugal exige, em média, quase 30 anos de rendas
Quem pensa em comprar casa em Portugal, tem de se preparar para um esforço financeiro mais prolongado, em média, 28,5 anos de rendas, indica o Imovirtual.
A análise, baseada no rácio entre o preço médio de venda e o valor anual de arrendamento, indica que 25 dos 29 territórios analisados, entre distritos do continente e ilhas das regiões autónomas, apresentam rácios superiores a 25 anos, refletindo um esforço financeiro mais prolongado para quem pondera comprar casa. Em benchmarks internacionais, este indicador é habitualmente utilizado para contextualizar o equilíbrio entre compra e arrendamento, sendo que rácios entre 20 e 30 anos são geralmente considerados elevados. Em Portugal, a média nacional fixa-se nos 28,5 anos, revelando um contexto exigente para a compra de habitação na maioria do território.
Ainda assim, a realidade não é homogénea. O portal imobiliário revela que distritos do interior, como Castelo Branco, Guarda ou Bragança, apresentam rácios significativamente mais baixos — em alguns casos próximos dos 13 a 17 anos — sinalizando condições mais equilibradas para quem procura comprar casa, sobretudo em contextos de maior estabilidade profissional ou trabalho remoto. Em contraste, as áreas metropolitanas e alguns mercados turísticos registam rácios substancialmente mais elevados, refletindo preços médios de venda muito acima da capacidade de rendimento associada ao arrendamento e favorecendo decisões mais flexíveis no curto e médio prazo.
No extremo oposto, destacam-se os distritos onde o arrendamento surge como opção mais flexível, sobretudo para quem privilegia mobilidade profissional ou prefere adiar o investimento na compra de habitação. Lisboa (32,8 anos), Porto (29,8 anos), Setúbal (31,9 anos), Braga (32,5 anos), Aveiro (33,8 anos) e Faro (35,3 anos) apresentam rácios elevados entre o preço médio de venda e o valor anual de arrendamento, refletindo mercados onde a aquisição de casa exige um esforço financeiro significativamente superior. Nestes territórios, a combinação entre preços de venda elevados e rendas relativamente mais contidas tende a favorecer decisões de arrendamento, sobretudo em contextos de maior dinamismo económico e profissional.
Comprar ou arrendar não é homogénea no país
Este contraste territorial ajuda a explicar porque a decisão entre comprar ou arrendar não é homogénea no país. Nos territórios do interior, onde os preços médios permanecem mais contidos e a pressão da procura é menor, a compra surge como uma opção financeiramente mais equilibrada no médio e longo prazo. Já nos grandes centros urbanos e nas zonas costeiras mais procuradas, o peso do valor de aquisição prolonga significativamente o tempo necessário para compensar a compra face ao arrendamento, favorecendo soluções mais flexíveis. Nas ilhas, a realidade é ainda mais fragmentada, com mercados pequenos e específicos a gerar rácios muito elevados, influenciados por fatores como turismo, segunda habitação e oferta limitada.
“Os dados mostram que a escolha entre comprar ou arrendar é hoje muito mais contextual e depende do território, do perfil de quem procura casa e do seu projeto de vida. O trabalho remoto está a permitir que profissionais acedam à casa própria em zonas do interior com rácios mais equilibrados, entre 13 e 17 anos, enquanto as áreas metropolitanas continuam a ser mais atrativas para quem privilegia flexibilidade. Cada região oferece oportunidades distintas que devem ser analisadas à luz das necessidades de cada família e, olhando para 2026, uma eventual descida das taxas de juro poderá tornar ainda mais distritos competitivos para a compra”, completa Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.













