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Opinião
João Sousa, CEO JPS Group

João Sousa, CEO JPS Group

A próxima geração de empreendimentos: viver, trabalhar e usufruir do mesmo território

27 de julho de 2026

O verdadeiro valor do imobiliário é o tempo que devolve às pessoas.

Durante muito tempo, avaliamos uma casa através de perguntas objetivas: quantos metros quadrados tem, como foi construída, onde está localizada e quanto poderá valer. Tudo isso continua a ser importante. Mas hoje há outra pergunta indispensável: que vida é que este lugar nos permite ter?

Vivemos com os dias preenchidos. Deslocamo-nos para trabalhar, levar os filhos à escola, fazer compras, praticar desporto ou tratar de assuntos simples. Quando tudo fica longe, até uma boa casa pode tornar-se apenas o ponto de partida e de chegada de uma rotina cansativa.

É por isso que o setor imobiliário precisa olhar para além da habitação. As pessoas não procuram apenas quatro paredes; procuram tempo, conforto, segurança, proximidade e uma relação mais equilibrada com o lugar onde vivem.

A nova geração de projetos residenciais deve nascer desta realidade. Não se trata de colocar tudo num condomínio nem de criar espaços fechados sobre si próprios. Trata-se de pensar o território com coerência, aproximando habitação, comércio, serviços, zonas verdes, lazer e mobilidade. Quando estas dimensões funcionam em conjunto, o dia a dia torna-se mais simples e o território ganha vida.

A tecnologia também tem um papel importante, desde que seja útil. Uma casa inteligente deve ajudar a consumir menos energia, aumentar a segurança, simplificar rotinas e adaptar-se às necessidades de quem nela vive. Só cria valor quando faz parte natural da experiência diária.

O mesmo se aplica à flexibilidade. O trabalho híbrido alterou a forma como utilizamos a casa, e as famílias mudam ao longo do tempo. Precisamos de espaços capazes de acompanhar diferentes fases da vida, mas também de jardins, percursos pedonais e zonas de encontro que promovam bem-estar e relações entre as pessoas. Uma comunidade não se constrói por decreto; cria-se quando os espaços convidam à convivência.

Na JPS GROUP, foi a partir desta leitura que concebemos a Herdade Real de Santiago, em Pegões, no concelho do Montijo. O projeto reúne habitação, comércio, serviços, espaços verdes, áreas de lazer e tecnologia NOS Smart Home. O mais importante, porém, não é a soma destes componentes. É a forma como se relacionam em torno de uma ideia simples: permitir às pessoas viver mais e deslocar-se menos.

A ligação aos principais eixos rodoviários da região é uma vantagem presente. O Aeroporto “Luís de Camões” e as novas ligações ferroviárias previstas poderão reforçar, no futuro, a relevância deste território. Ainda assim, um projeto não pode depender apenas do que poderá acontecer amanhã. O seu valor tem de começar pela qualidade de vida que oferece desde o primeiro dia.

Quando são bem pensados, projetos desta natureza geram impacto para além dos seus limites. Podem apoiar o comércio local, criar emprego, atrair investimento e contribuir para a valorização da região. Para isso, têm de crescer em diálogo com o território, respeitando a sua identidade e respondendo às necessidades de quem já lá vive.

Acredito que esta é uma das grandes responsabilidades do imobiliário nos próximos anos. Não basta construir mais. É preciso construir melhor e criar lugares onde as pessoas consigam viver com mais equilíbrio. Uma casa não termina à porta. Prolonga-se na rua, no jardim, no comércio de proximidade, nos serviços, nas ligações e na comunidade. E talvez o metro quadrado mais valioso seja, afinal, aquele que devolve tempo às pessoas.

João Sousa

CEO da JPS GROUP