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ONU, UE e Banco Mundial estimam reconstrução de Gaza em 60,5 mil milhões de euros
A Organização das Nações Unidas (ONU), a União Europeia (UE) e o Banco Mundial estimam em 71,4 mil milhões de dólares (cerca de 60,5 mil milhões de euros) o custo da reconstrução da Faixa de Gaza ao longo da próxima década, segundo um relatório conjunto divulgado esta segunda-feira.
O estudo avalia os danos, perdas económicas e necessidades de recuperação após 24 meses de conflito, apontando que cerca de 26,3 mil milhões de dólares (22,3 mil milhões de euros) serão necessários nos primeiros 18 meses para restabelecer serviços essenciais, reconstruir infraestruturas críticas e apoiar a retoma económica.
De acordo com o relatório, os danos materiais em infraestruturas ascendem a 35,2 mil milhões de dólares (29,8 mil milhões de euros), enquanto as perdas económicas e sociais são estimadas em 22,7 mil milhões de dólares (19,2 mil milhões de euros). Os sectores mais afetados incluem habitação, saúde, educação, comércio e agricultura.
No terreno, mais de 371 mil habitações foram destruídas ou danificadas, mais de metade dos hospitais estão inoperacionaise a maioria das escolas sofreu danos significativos. A economia do enclave contraiu-se 84%, segundo os dados divulgados.
O relatório indica ainda que cerca de 1,9 milhões de pessoas foram deslocadas, muitas de forma repetida, e que mais de 60% da população perdeu a sua casa. Mulheres, crianças e outros grupos vulneráveis estão entre os mais afetados.
O actual conflito teve início após o ataque do Hamas em Israel, a 7 de Outubro de 2023, que causou cerca de 1.200 mortos e 251 reféns. Em resposta, Israel lançou uma ofensiva militar em larga escala na Faixa de Gaza, que provocou mais de 72 mil mortos, segundo autoridades locais.
Um cessar-fogo entrou em vigor a 10 de Outubro de 2025, mas ambas as partes têm trocado acusações de violações. De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, desde então foram registados 777 mortos e 2.193 feridos em ataques israelitas, incluindo mais de 180 crianças.
Uma questão se coloca desde logo: irá Israel contribuir financeiramente para a construção daquilo que arrazou? Ou será a UE a pagar aquilo que outros tão empenhada e premeditadamente trataram de destruir?


















