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Mulheres lideram reclamações de consumo e habitação pública surge entre os principais focos de queixas
As mulheres passaram a liderar, pela primeira vez, o volume de reclamações de consumo em Portugal, representando 50,09% do total de queixas registadas em 2025 no Portal da Queixa. Os dados constam do estudo “O Perfil da Mulher Consumidora em Portugal 2026”, realizado pela Consumers Trust Labs.
Ao longo do último ano foram apresentadas 119.564 reclamações por mulheres, um máximo histórico desde que a plataforma monitoriza conflitos de consumo. A tendência mantém-se em 2026: apenas em Janeiro e Fevereiro, as mulheres representaram 51,86% das queixas, num total de 39.380 reclamações.
Segundo o relatório, o aumento das reclamações femininas está associado a maior literacia digital, maior consciência dos direitos do consumidor e menor tolerância perante falhas nos serviços, reforçando o papel da mulher portuguesa como uma das principais “auditoras do mercado”.
Habitação pública entre os serviços mais reclamados
No sector dos serviços públicos, destaca-se o elevado número de reclamações relacionadas com a habitação, com o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana a surgir como a entidade mais visada pelas consumidoras.
As queixas concentram-se sobretudo em atrasos na atribuição de apoios à renda, processos administrativos prolongados e dificuldades no acesso a programas públicos de habitação, num contexto em que o acesso à casa se tornou uma das principais preocupações das famílias.
O estudo identifica ainda que os problemas mais frequentemente reportados pelas mulheres incluem atrasos em processos administrativos, falhas no atendimento e dificuldades na obtenção de respostas sobre apoios habitacionais, reflectindo as pressões que o mercado imobiliário e a crise de acessibilidade à habitação têm gerado.
Grandes centros urbanos concentram reclamações
Geograficamente, a maioria das reclamações apresentadas por mulheres provém dos principais centros urbanos, onde os problemas ligados ao custo de vida e ao acesso à habitação são mais evidentes.
Lisboa lidera com 31,74% das queixas, seguida do Porto com 17,94% e de Setúbal com 10,86%.
O perfil médio da mulher que reclama online tem cerca de 40 anos, sendo que a faixa etária entre 25 e 44 anos concentra cerca de 55% das queixas, um grupo frequentemente mais exposto às dificuldades de acesso à habitação e aos encargos associados ao arrendamento.
Diferenças na resolução de conflitos
O estudo aponta ainda para uma diferença na resolução das reclamações: cerca de 55,81% das queixas apresentadas por mulheres são resolvidas, abaixo da taxa registada nas reclamações feitas por homens, que atinge 59,47%.
Para Sónia Lage Lourenço, CEO do Portal da Queixa, os dados mostram que a mulher portuguesa assume cada vez mais um papel activo na defesa dos direitos do consumidor.
“A mulher tornou-se uma verdadeira gestora de crises, utilizando a tecnologia para exigir o cumprimento de direitos básicos e denunciar falhas nos serviços”, afirma.
O relatório conclui que esta maior participação feminina nas reclamações está também ligada a áreas críticas da economia portuguesa, como serviços públicos e habitação, onde os consumidores procuram respostas para problemas que afetam diretamente a qualidade de vida e a estabilidade das famílias.














