Logo Diário Imobiliário
CONSTRUÍMOS
NOTÍCIA
Brain PowerHaierJPS Group 2024Porta da Frente
Habitação
Habitação em Portugal_ Moradias

Habitação em Portugal_ Moradias

Moradias perdem espaço na construção nova e tornam-se cada vez mais escassas em Portugal

13 de agosto de 2026

As moradias estão a perder peso na oferta residencial em Portugal, sobretudo no segmento da construção nova. Dados do Imovirtual mostram que apenas 7,3% dos imóveis actualmente disponíveis em novos empreendimentos são moradias, revelando uma clara predominância dos apartamentos na nova construção.

A tendência é acompanhada por uma redução da oferta de moradias no mercado. Entre Maio e Julho de 2026, o número de moradias disponíveis caiu 12,2% face ao mesmo período do ano anterior, num momento em que os preços deste tipo de imóvel continuam a crescer acima dos registados nos apartamentos.

“A nova construção está hoje claramente mais orientada para apartamentos, enquanto as moradias assumem um peso cada vez mais reduzido neste segmento. Esta evolução contribui para uma menor disponibilidade deste tipo de imóvel no mercado e reforça o seu posicionamento como um produto cada vez mais escasso e valorizado”, afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.

Construção nova privilegia apartamentos

A diferença entre a construção nova e o mercado de revenda evidencia a transformação da oferta residencial. Enquanto as moradias representam apenas 7,3% dos imóveis disponíveis em construção nova, na revenda correspondem a 47,1% da oferta.

Os dados revelam, assim, uma forte concentração da nova construção em apartamentos, enquanto o mercado de segunda mão continua a assegurar uma presença muito mais significativa de moradias.

Esta diferença poderá contribuir para uma redução progressiva da disponibilidade deste tipo de habitação à medida que a oferta existente é absorvida pelo mercado.

Preços das moradias crescem mais

A menor disponibilidade já tem reflexos na evolução dos preços. Entre Maio e Julho de 2026, o preço médio das moradias aumentou 7,1%, enquanto os apartamentos registaram uma valorização de 1,2%.

Actualmente, uma moradia apresenta um preço médio cerca de 7% superior ao de um apartamento, uma diferença que acompanha a crescente escassez deste tipo de imóvel.

A dimensão das casas disponíveis também ajuda a explicar o posicionamento das moradias. Os imóveis de maior dimensão dominam a oferta: as moradias T5 ou superiores representam 41% do total, enquanto os T4 correspondem a outros 37%.

Nos apartamentos, a distribuição é mais diversificada. Os T3 representam 38% da oferta, seguidos pelos T4, com 33%, e pelos T2, com 14%.

Luxo reforça peso das moradias

A predominância das moradias torna-se ainda mais evidente no segmento de maior valor. No mercado não-luxo, estas representam 43,8% da oferta, mas no segmento premium o seu peso sobe para 79,2%.

Os dados mostram, por isso, uma relação cada vez mais forte entre moradias e segmentos residenciais de maior valor, num contexto em que a nova construção privilegia soluções de apartamentos.

A combinação entre menor oferta, aumento dos preços e forte presença no segmento premium está a reforçar o carácter exclusivo das moradias no mercado português.

Um produto cada vez mais escasso

A evolução da oferta coloca as moradias numa posição particular no mercado residencial. Apesar de continuarem a representar uma parcela relevante da oferta total, a sua presença reduz-se de forma significativa na construção nova, enquanto o número de imóveis disponíveis em mercado apresenta uma trajetória descendente.

Ao mesmo tempo, os preços estão a crescer a um ritmo superior ao dos apartamentos e a maior parte da oferta concentra-se em imóveis de grande dimensão e nos segmentos de maior valor.

Os dados do Imovirtual apontam, assim, para uma transformação do mercado residencial português: as moradias estão a tornar-se um produto mais escasso, mais valorizado e progressivamente associado a uma oferta residencial de maior exclusividade.