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Oferta de casas para arrendar aumenta 13% e preços recuam 6% em Portugal

22 de setembro de 2026

Número médio diário de anúncios subiu de 34.291 para 38.812 em 2026, enquanto o preço médio anunciado desceu de 1.465 para 1.371 euros. Lisboa e Porto concentram o maior volume de oferta, mas cidades como Coimbra, Faro e Viana do Castelo registam fortes aumentos no número de imóveis disponíveis.

O mercado de arrendamento português está a registar um aumento da oferta em 2026, acompanhado por uma descida do preço médio anunciado. Uma análise do Imovirtual ao período acumulado do ano, face ao período homólogo de 2025, revela que o número médio diário de anúncios cresceu 13%, de 34.291 para 38.812.

Em sentido contrário, o preço médio anunciado recuou 6%, passando de 1.465 para 1.371 euros.

A evolução, contudo, está longe de ser uniforme. As diferenças entre os vários mercados analisados são significativas, tanto ao nível da quantidade de imóveis disponíveis como dos preços praticados nos anúncios.

Lisboa e Porto reforçam oferta

Lisboa e Porto continuam a concentrar a maior fatia da oferta analisada pelo Imovirtual.

Na capital, o número médio diário de anúncios aumentou 13%, passando de 16.846 para 19.113. No Porto, a subida foi de 12%, de 7.418 para 8.282 anúncios por dia.

O crescimento é ainda mais expressivo em alguns mercados de menor dimensão. Coimbra registou uma subida de 36%, enquanto Faro e Viana do Castelo aumentaram a oferta em 27%. Vila Real apresentou um crescimento de 20%.

Em Portalegre, o número de anúncios aumentou 74%, embora este crescimento tenha ocorrido a partir de uma base de oferta significativamente mais reduzida.

Nem todas as cidades acompanham esta tendência. Em Leiria, a oferta diminuiu 8%, enquanto na Guarda a redução chegou aos 35%.

Lisboa baixa preços, Porto mantém-se estável

Também ao nível dos preços o comportamento dos mercados é diferenciado.

Lisboa registou uma descida de 8% no preço médio anunciado, de 1.608 para 1.485 euros. No Porto, a evolução foi muito mais moderada: o preço passou de 1.386 para 1.367 euros, uma redução de apenas 1%.

Entre os restantes mercados com maior volume de oferta, Coimbra registou uma descida de 11%, para 657 euros, enquanto Setúbal apresentou uma redução de 12%, para 1.396 euros.

Há, contudo, cidades onde os preços aumentaram. Em Faro, o valor médio anunciado subiu 6%, para 1.914 euros, enquanto em Viana do Castelo cresceu 7%, atingindo 1.263 euros.

Nos mercados de menor dimensão, Vila Real e Portalegre apresentaram aumentos mais acentuados, de 37% e 46%, respetivamente.

Mais oferta, mas acesso continua difícil

Para Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual, o aumento da oferta constitui um sinal positivo num mercado onde o acesso ao arrendamento continua a ser difícil para muitas famílias.

A responsável considera, contudo, que ainda é prematuro estabelecer uma relação direta entre esta evolução e as medidas recentemente implementadas para incentivar o arrendamento a rendas moderadas. O comportamento dos próximos meses será determinante para perceber se o crescimento da oferta representa uma alteração estrutural ou uma dinâmica conjuntural.

Apesar da redução dos preços médios face a 2025, o Imovirtual salienta que os valores continuam elevados, sobretudo nos principais centros urbanos.

Os dados apontam, assim, para um mercado de arrendamento com mais oferta e preços médios mais baixos, mas marcado por fortes diferenças territoriais. Lisboa e Porto concentram a maior quantidade de imóveis disponíveis, enquanto alguns mercados fora dos grandes centros apresentam crescimentos mais expressivos da oferta.

A evolução registada em 2026 poderá representar uma mudança na relação entre oferta e procura, mas a consolidação dessa tendência dependerá do comportamento dos anúncios e dos preços ao longo dos próximos meses.