
Imagem cortesia APPC
Mercado das obras públicas perde ritmo no 1.º semestre e concursos caem 39%
O mercado das obras públicas entrou em desaceleração no primeiro semestre de 2026, com uma quebra significativa quer na promoção de novos concursos, quer na contratação pública. Os dados mais recentes do Barómetro das Obras Públicas da AICCOPN mostram que o valor global dos concursos lançados até junho recuou 39% face ao mesmo período do ano passado, reflectindo um abrandamento da actividade do sector.
Ao todo, foram promovidos 2.929 concursos públicos, correspondentes a um investimento de 3.662 milhões de euros, o que representa uma redução homóloga de 39% no valor e de 24% no número de procedimentos lançados.
Contratação pública também recua
A desaceleração verificou-se igualmente na adjudicação de empreitadas. Durante os primeiros seis meses do ano, os contratos celebrados através de concurso público totalizaram 1.529 milhões de euros, menos 31% do que no período homólogo de 2025. Ainda assim, o valor dos concursos entretanto promovidos supera em 2.133 milhões de euros o montante efetivamente contratado, evidenciando um desfasamento entre o lançamento dos procedimentos e a concretização das adjudicações.
Em sentido inverso, as modalidades de ajuste directo e consulta prévia registaram uma evolução positiva, com um crescimento homólogo de 29%, atingindo 358 milhões de euros em contratos adjudicados.
No entanto, este aumento revelou-se insuficiente para compensar a forte quebra verificada nos concursos públicos.
Volume global de contratos diminui 24%
Considerando todas as modalidades de contratação pública, o montante global dos contratos celebrados e reportados no Portal Base ascendeu a 2.101 milhões de euros até ao final de junho, traduzindo uma redução homóloga de 24%.
Os resultados confirmam uma inversão da trajetória observada em 2025, ano em que tanto os concursos promovidos como os contratos celebrados registaram níveis historicamente elevados. Agora, o primeiro semestre de 2026 fica marcado por uma perda de dinamismo no mercado das obras públicas, reflectida na diminuição da atividade contratual e na redução do investimento lançado pelas entidades públicas.















