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Lusolav quer TGV com menor impacto urbano em Coimbra

31 de julho de 2026

A Lusolav apresentou esta quinta-feira uma proposta alternativa para a integração da futura Linha de Alta Velocidade (LAV) em Coimbra, defendendo uma solução que promete reduzir o impacto urbano, minimizar expropriações e garantir uma operação ferroviária mais eficiente. A proposta foi desenvolvida no âmbito do concurso para o troço Oiã–Soure e aposta numa ligação mais directa à estação de Coimbra-B, procurando conciliar o desenvolvimento da infraestrutura ferroviária com a preservação da cidade.

O projecto diz respeito ao troço de cerca de 59 quilómetros da futura Linha de Alta Velocidade e prevê uma solução técnica que reduz a intervenção na Linha do Norte, assegurando simultaneamente uma melhor integração da nova infraestrutura na rede ferroviária existente.

Durante a apresentação pública da proposta, o administrador da Lusolav, Nuno Teixeira da Silva, sublinhou que é possível desenvolver uma infraestrutura desta dimensão sem comprometer a identidade da cidade.

"Acreditamos que é possível construir a Alta Velocidade respeitando Coimbra, a sua história, os seus habitantes e o funcionamento diário da rede ferroviária. A nossa proposta demonstra que a eficiência, a sustentabilidade e a integração podem andar lado a lado", afirmou.

Menos demolições e menor impacto nas populações

Um dos principais argumentos apresentados pelo consórcio prende-se com a redução dos impactos urbanos. A proposta prevê a quadruplicação da Linha do Norte entre Taveiro e Coimbra através de uma solução que permitirá evitar a demolição de cerca de 45 edifícios quando comparada com outras alternativas atualmente em análise.

Segundo a Lusolav, a proposta reduz igualmente o número de expropriações, afasta a nova infraestrutura das zonas residenciais e diminui os impactos ambientais associados à construção de novas estruturas ferroviárias a sul da estação.

A empresa defende ainda que esta opção preserva melhor a qualidade de vida das populações locais e reduz a pressão sobre o tecido urbano da cidade.


Foto Coimbra Viva

Obra com menor impacto na circulação ferroviária

Outro dos aspectos destacados pela Lusolav prende-se com a execução da empreitada. Tendo em conta que a construção deverá prolongar-se por mais de cinco anos, a empresa garante que a solução proposta permitirá reduzir significativamente os condicionamentos na operação ferroviária durante esse período.

O objetivo passa por assegurar uma maior continuidade do serviço ferroviário para passageiros e operadores, sem comprometer os prazos previstos para um projeto considerado estratégico para a mobilidade e para a economia nacional.

Nova organização da estação de Coimbra-B

A proposta contempla igualmente uma reorganização da estação de Coimbra-B, através da criação de linhas dedicadas aos serviços de Alta Velocidade, preservando as infraestruturas ferroviárias existentes e os investimentos recentemente realizados.

Segundo o consórcio, esta configuração permitirá separar a operação da Alta Velocidade da Linha do Norte, melhorando a articulação com os restantes serviços ferroviários nacionais e garantindo ligações mais eficientes para norte e sul do país.

A solução pretende ainda assegurar a compatibilidade com as linhas da Beira Alta e da Figueira da Foz, bem como preservar as intervenções realizadas no âmbito do Sistema de Mobilidade do Mondego.

Coimbra vista como ponto estratégico

Para a Lusolav, Coimbra deverá assumir um papel central na futura rede nacional de Alta Velocidade, beneficiando de uma solução que combine inovação tecnológica, eficiência operacional, sustentabilidade ambiental e integração urbana.

"O nosso compromisso passa por integrar sem destruir, ligar sem dividir e construir uma infraestrutura capaz de servir o país, respeitando simultaneamente as pessoas e o território", reforçou Nuno Teixeira da Silva.

Consórcio reúne principais construtoras nacionais

A Lusolav representa um agrupamento de empresas portuguesas responsável pela execução do primeiro troço da Linha de Alta Velocidade entre o Porto e Oiã e integra também a proposta apresentada para o troço Oiã–Soure.

O consórcio é constituído pelas empresas Mota-Engil, Teixeira Duarte, Casais, Alves Ribeiro, Conduril, Gabriel Couto, Manuel Couto Alves e Serena, reunindo algumas das maiores construtoras nacionais num dos maiores projetos ferroviários atualmente em desenvolvimento em Portugal.