
Loja Cartier, Av._des_Champs-Élysées - 154. Paris. Foto Wikimedia
Luxo à flor da pele: marcas disputam cada metro nas ruas mais exclusivas da Europa
O retalho de luxo europeu vive um novo momento de efervescência, com as grandes maisons a acelerar a abertura de lojas nas artérias mais icónicas do continente — onde cada metro quadrado se tornou um bem raro.
Segundo o relatório “European Luxury Retail”, da Cushman & Wakefield, foram inauguradas 96 novas lojas de luxo em 2025, mais 13% do que no ano anterior, espalhadas por 20 ruas emblemáticas em 16 cidades europeias.
Das avenidas parisienses às high streets de Milão ou Madrid, o luxo reafirma-se através de espaços físicos cada vez mais cénicos, pensados como experiências imersivas e verdadeiros cartões de visita das marcas.
Flagships, experiência e exclusividade
Num tempo dominado pelo digital, as marcas continuam a apostar no contacto directo com o cliente, privilegiando lojas de grande impacto arquitectónico e localizações estratégicas, muitas vezes com contratos de longo prazo.
A disputa por estes espaços intensifica-se num mercado onde a oferta é cada vez mais escassa. Em várias ruas de referência, a disponibilidade aproxima-se de zero, elevando a pressão competitiva e levando as marcas a reinventar a ocupação dos imóveis — incluindo a conquista de pisos superiores ou espaços anteriormente fora do radar do luxo.
Novos protagonistas e velhos gigantes
Embora os grandes grupos como LVMH, Kering e Richemont continuem a dominar, representando cerca de um terço das aberturas, o mercado revela uma crescente diversidade. Cerca de 70% das novas lojas foram abertas por outras marcas, num sinal de vitalidade e renovação do sector.
Rendas em máximos históricos
A escassez de espaço tem também impacto directo nos valores: as rendas prime nas principais localizações estão cerca de 7% acima dos níveis de 2018, atingindo máximos históricos em vários mercados.
Entre tradição e inovação, o luxo europeu reforça assim o seu estatuto — não apenas como sector económico, mas como expressão urbana, estética e cultural, onde cada nova loja é também um palco.















