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Lisboa regista segunda maior subida das rendas prime entre 30 cidades globais

7 de setembro de 2026

Lisboa está entre as cidades com melhor desempenho no mercado residencial prime a nível mundial. As rendas de imóveis de luxo na capital portuguesa aumentaram 7,6% no primeiro semestre de 2026, a segunda maior subida entre as 30 cidades analisadas pelo Savills World Cities Prime Residential Index, ficando apenas atrás da Cidade do Cabo.

Também os preços de venda registaram uma evolução positiva. Entre janeiro e junho, os imóveis residenciais prime em Lisboa valorizaram 3,3%, o segundo melhor desempenho entre as cidades da Europa, Médio Oriente e África abrangidas pelo índice.

Escassez de oferta impulsiona rendas

A forte procura internacional continua a pressionar um mercado onde a oferta de imóveis de qualidade permanece limitada. De acordo com a análise da Savills, a escassez de produto prime é atualmente um dos principais fatores a sustentar a subida das rendas e a condicionar a evolução dos preços de venda.

Em junho de 2026, um imóvel prime em Lisboa custava, em média, 14.600 euros por metro quadrado, enquanto a renda média rondava os 30 euros por metro quadrado por mês.

A capital portuguesa já apresenta valores superiores aos de Madrid, onde o preço médio prime se situa nos 11.700 euros por metro quadrado. Ainda assim, Lisboa mantém-se abaixo de mercados como Paris, com 19.000 euros por metro quadrado, e Genebra, que lidera entre as cidades europeias analisadas, com 26.300 euros.

A diferença de preços continua, assim, a ser um dos fatores que contribuem para a atratividade de Lisboa junto dos compradores internacionais, apesar da valorização registada nos últimos meses.

Rendas crescem mais do dobro dos preços

A evolução registada no primeiro semestre evidencia uma diferença significativa entre os dois segmentos do mercado. Enquanto os preços de venda cresceram 3,3%, as rendas avançaram 7,6% — mais do dobro.

Para Rita Bueri, Head of Residential Lisboa da Savills Portugal, esta diferença resulta diretamente da falta de oferta disponível.

“Lisboa é a cidade certa por três razões que se reforçam: valor, ainda abaixo de algumas cidades europeias, qualidade de vida, que continua a ser o primeiro motivo que os nossos clientes internacionais apontam; e estabilidade, que é o que faz alguém comprar aqui para ficar, não para especular.”

A responsável acrescenta que a pressão sobre o mercado de arrendamento resulta também do comportamento dos potenciais compradores que não encontram imóveis adequados para aquisição.

“Quem quer comprar em Lisboa não encontra casa e arrenda enquanto espera, foi isso que fez as rendas subirem mais do dobro dos preços.”

Segundo Rita Bueri, a tendência deverá manter-se enquanto a oferta não acompanhar o nível de procura.

Sul da Europa mantém trajetória de valorização

Lisboa não é a única cidade do sul da Europa a beneficiar da procura por imóveis residenciais de qualidade. No primeiro semestre, os preços prime subiram 2,4% em Madrid, 1,5% em Barcelona, 1,2% em Atenas e 0,2% em Roma.

O padrão é semelhante: a procura, nomeadamente por parte de compradores internacionais, continua a superar a oferta disponível nos segmentos de maior qualidade.

A procura por qualidade de vida mantém-se como um dos principais fatores de atração destes mercados, num contexto internacional marcado por maior cautela por parte dos compradores e por condições financeiras ainda mais exigentes.

Lisboa pode fechar o ano entre os mercados europeus com melhor desempenho

Para a segunda metade de 2026, o Savills World Cities Prime Residential Index prevê uma valorização dos preços entre 2% e 3,9% em Lisboa, colocando a capital portuguesa no mesmo grupo de Madrid, Barcelona, Singapura, Seul e Kuala Lumpur.

A perspetiva da consultora é de que a combinação entre oferta limitada e procura internacional sustentada continue a funcionar como o principal motor do mercado até ao final do ano.

A concretizar-se esta previsão, Lisboa poderá terminar 2026 entre os mercados residenciais prime com melhor desempenho na Europa.

No comunicado global da Savills, Kelcie Sellers, Associate Director da Savills World Research, sublinha precisamente a importância destes fatores na evolução dos mercados.

“As cidades que conseguem combinar oferta limitada, forte criação de riqueza das famílias e procura internacional sustentada tendem a ter melhor desempenho, enquanto as que enfrentam oferta elevada ou maior incerteza podem continuar a ficar para trás.”

A analista considera ainda que a escolha do mercado deverá assumir uma importância crescente para os investidores e compradores internacionais.

“O valor comparativo, o apelo em termos de qualidade de vida e os fundamentos económicos de longo prazo devem manter-se como os principais motores do desempenho residencial prime até ao final de 2026.”

Com os preços ainda abaixo dos principais mercados europeus de luxo, uma procura internacional consistente e uma oferta limitada, Lisboa mantém-se, assim, numa posição favorável no mapa global do imobiliário residencial prime.