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Linha Évora–Caia preparada para 250 km/h, mas exploração dependerá da rede e dos operadores

Foto IP

Linha Évora–Caia preparada para 250 km/h, mas exploração dependerá da rede e dos operadores

19 de janeiro de 2026

A nova ligação ferroviária entre Évora e a fronteira do Caia ficará tecnicamente preparada para a circulação de comboios a velocidades até 250 quilómetros por hora, tornando-se a primeira linha em Portugal com esta capacidade. No entanto, a exploração efectiva dessas velocidades dependerá da evolução da restante rede ferroviária e das opções dos operadores.
Segundo Paulo Tavares, gestor de Empreendimentos da Infraestruturas de Portugal (IP), a nova linha permitirá, numa fase inicial, velocidades entre 190 e 200 km/h, estando preparada para um futuro aumento até aos 250 km/h. Esta capacidade, contudo, não é uniforme em todo o corredor ferroviário.
Um dos principais constrangimentos prende-se com os acessos a Lisboa. “Qualquer comboio que sai de Lisboa tem de utilizar a linha de cintura e o eixo Norte–Sul, ambos muito carregados com tráfego suburbano. Só a partir do Pinhal Novo é possível aumentar significativamente a velocidade”, explicou.


Foto CMEvora


Já a ligação ao Porto de Sines mantém uma vocação exclusivamente logística. De acordo com Paulo Tavares, a linha de Sines é destinada ao transporte de mercadorias, com um limite operacional de 120 km/h, afastando a possibilidade de serviços de passageiros de alta velocidade nesse troço.
A utilização da nova infraestrutura para serviços rápidos dependerá ainda do material circulante e das decisões comerciais dos operadores. “A infraestrutura permite, mas depois tudo depende do tipo de comboio que o operador colocar ao serviço, seja a CP, a Renfe ou outro operador”, sublinhou o responsável da IP.



Estação de Elvas foi completamente renovada. Fotos IP


Bitola Ibérica, mas...
Integrada no Corredor Internacional Sul, a linha Évora–Caia representa um dos maiores investimentos do programa Ferrovia 2020, com o objectivo de reforçar as ligações ferroviárias de mercadorias entre os portos de Sines, Setúbal e Lisboa e o mercado espanhol. A nova infraestrutura permitirá mais do que duplicar a capacidade de transporte, reduzir custos logísticos em cerca de 50% e encurtar os tempos de ligação ferroviária entre capitais ibéricas para menos de seis horas.
O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, numa cerimónia realizada sexta-feira, que marcou a conclusão da obra, classificou o momento como um “dia histórico”, referindo tratar-se da maior intervenção ferroviária realizada em Portugal nos últimos cem anos. Apesar da conclusão física da linha, o início da operação só deverá ocorrer no final de 2026 ou no início de 2027, devido à necessidade de concluir trabalhos de sinalização e certificação de segurança.
A obra sofreu vários atrasos, associados a restrições ambientais, à pandemia de covid-19, à guerra na Ucrânia e à descoberta de vestígios arqueológicos ao longo do traçado. O custo total, inicialmente estimado em 339 milhões de euros, poderá atingir quase 460 milhões de euros.
Miguel Pinto Luz destacou ainda que a nova linha permitirá reduzir em 140 quilómetros o percurso anteriormente realizado pelos comboios de mercadorias a partir de Sines, reforçando a competitividade do principal porto nacional, que movimenta mais de 50 milhões de toneladas de carga por ano.
No horizonte estratégico, Portugal e Espanha acordaram como meta permitir viagens de passageiros entre Lisboa e Madrid em cerca de três horas até 2034, com um tempo intermédio de cinco horas e meia entre 2028 e 2030. Embora a nova linha utilize bitola ibérica, o ministro admitiu a possibilidade de uma futura migração para a bitola europeia, após articulação com a Comissão Europeia, reforçando a integração da rede ferroviária portuguesa no espaço europeu.


Troço do Caia, junto à fronteira. Foto IP