Logo Diário Imobiliário
CONSTRUÍMOS
NOTÍCIA
JPS Group 2024Porta da Frente
Actualidade
Investimento em imobiliário comercial regista melhor desempenho dos últimos três anos

 

Investimento em imobiliário comercial regista melhor desempenho dos últimos três anos

4 de março de 2026

Investimento em imobiliário comercial em Portugal totalizou 2.850 milhões de euros em 2025, reflectindo um crescimento homólogo de 17% e o melhor desempenho dos últimos três anos, revela o estudo Market Focus Portugal 2026 da consultora Cushman & Wakefield (C&W), a primeira edição de um novo relatório anual que analisa a evolução dos principais segmentos do mercado imobiliário nacional, antecipando tendências e perspetivas para o próximo ano.

O estudo revela que a actividade manteve-se dinâmica ao longo do ano, com mais de 100 transacções.

O retalho liderou a alocação de capital, com 30% do volume total, seguido de escritórios (25%) e hotelaria (20%), confirmando a diversidade setorial do investimento. O capital internacional manteve-se dominante, representando 61% do total, maioritariamente de origem europeia (88%).

“O desempenho de 2025 confirma que o mercado imobiliário português continua num ciclo claramente positivo. A combinação entre liquidez, confiança dos investidores, fundamentos ocupacionais sólidos e melhores condições de financiamento criou um contexto muito favorável ao investimento”, refere Paulo Sarmento, Head of Portugal da Cushman & Wakefield.

No mercado de escritórios, Lisboa registou um ligeiro recuo de absorção face ao ano anterior, explicado sobretudo pela escassez de oferta de qualidade. As taxas de desocupação mantiveram‑se em níveis muito baixos,  enquanto as rendas prime continuaram a crescer, atingindo um máximo histórico no CBD prime. No Porto, a actividade foi mais moderada, mas com sinais de recuperação esperados para 2026, à medida que novos projetos de maior qualidade entrem no mercado.

O retalho voltou a demonstrar grande resiliência. As localizações prime de comércio de rua em Lisboa e Porto mantiveram taxas de disponibilidade extremamente reduzidas, sustentando a subida das rendas.. Os centros comerciais continuaram a apresentar vendas e afluências robustas, enquanto os retail parks reforçaram o seu posicionamento como um dos formatos mais dinâmicos do mercado, concentrando a maioria da nova oferta em desenvolvimento.

No segmento industrial e logístico, apesar de uma descida da absorção face ao pico de 2024, a procura manteve‑se superior à oferta, sobretudo por ativos modernos, eficientes e alinhados com critérios ESG. As rendas prime continuaram a crescer tanto em Lisboa como no Porto, refletindo a persistente escassez de espaços de elevada qualidade.

Turismo e living reforçam atractividade estrutural

O estudo indica que a hotelaria manteve um desempenho muito positivo em 2025, suportado pelo crescimento contínuo do turismo. As receitas hoteleiras aumentaram, reflectindo a melhoria do rendimento gerado por quarto disponível (RevPAR) e elevados níveis de ocupação, enquanto a nova oferta se concentrou maioritariamente nos segmentos de 4 e 5 estrelas, reforçando a qualificação do produto turístico nacional.

O pipeline para os próximos anos permanece robusto, sustentando o interesse contínuo dos investidores neste sector.

Nos segmentos de living, as residências de estudantes continuam a apresentar um forte desequilíbrio entre oferta e procura. Apesar da entrada de novas camas no mercado, Portugal mantém rácios muito abaixo da média europeia, o que tem sustentado elevados crescimentos de rendas em Lisboa e Porto. O senior living segue igualmente uma trajectória de crescimento, embora com oferta ainda insuficiente e carência de produto moderno, factores que continuam a atrair operadores e investidores privados.

Perspetivas para 2026

No Market Focus Portugal 2026, a Cushman & Wakefield antecipa um ano positivo para o mercado imobiliário nacional, suportado por um enquadramento macroeconómico favorável, forte desempenho do turismo e mercados ocupacionais robustos. A escassez de activos de qualidade, sustentáveis e bem localizados continuará a ser simultaneamente o principal desafio e o principal motor de crescimento do sector.

“O sector entra em 2026 com fundamentos muito sólidos: ocupação forte, crescimento das rendas prime e um pipeline ainda insuficiente para responder à procura. Este desequilíbrio continuará a sustentar o interesse de ocupantes e investidores, sobretudo por activos de elevada qualidade e estratégias de reposicionamento”, conclui Paulo Sarmento.