
Avenida da Republica, 4, em Lisboa - Foto cortesia Cari
Imobiliário português deverá captar 2,4 mil milhões em 2026 - diz CBRE
O mercado imobiliário português deverá captar cerca de 2,4 mil milhões de euros de investimento em 2026, reflectindo uma fase de estabilização após a forte recuperação registada em 2025, ano que fechou com 2,7 mil milhões de euros, segundo o Portugal Real Estate Outlook 2026, apresentado pela CBRE.
De acordo com a consultora, o sector entra agora numa etapa de maturidade e consolidação, sustentada por estabilidade macroeconómica, disciplina orçamental e um perfil risco-retorno considerado defensivo no contexto europeu. As yields deverão manter-se globalmente estáveis ao longo de 2026, contrastando com a volatilidade observada noutros mercados.
Apesar do predomínio do capital estrangeiro, responsável por cerca de 60% do investimento, a CBRE destaca o reforço do peso dos investidores nacionais, impulsionado pela transferência de poupanças de depósitos a prazo para veículos de investimento imobiliário.
Escritórios: nova geografia do mercado prime
No segmento de escritórios, 2025 marcou um ponto de viragem em Lisboa, com a renda prime a atingir os 32 euros por metro quadrado fora do tradicional CBD da Avenida da Liberdade, passando a localizar-se na zona histórica e ribeirinha, reflectindo a procura por edifícios reabilitados e de maior qualidade.
Para 2026, a CBRE prevê uma absorção de cerca de 200.000 m² em Lisboa e de 50.000 m² no Porto, com pressão adicional nas rendas em zonas emergentes como Entrecampos, à medida que entra no mercado produto mais qualificado.
Logística: escassez reforça papel atlântico
A reconfiguração das cadeias globais de abastecimento e as tensões no Mar Vermelho reforçaram o papel estratégico de Portugal nas rotas atlânticas, refere a CBRE. No entanto, o sector logístico continua marcado por uma escassez estrutural de oferta, com taxas de disponibilidade inferiores a 1% no Grande Porto e em torno de 3% na Grande Lisboa.
O take-up (absorção) logístico deverá situar-se entre 380.000 e 400.000 m² em 2026, num contexto em que a maioria dos projectos especulativos tem sido arrendada ainda antes da conclusão das obras.
Retalho mantém crescimento real
O retalho apresenta um desempenho robusto, impulsionado pelo turismo e pelo consumo interno. Em 2025, o índice de vendas cresceu 43% face a 2019, esclarece a consultora. Mesmo descontando a inflação acumulada no período, o sector regista um crescimento real significativo.
As rendas prime no comércio de rua deverão continuar a subir, podendo atingir 150 a 155 euros por metro quadrado na Rua Garrett (Chiado) em 2026, enquanto os retail parks se afirmam como o formato com maior expansão a nível nacional.
Hotelaria e sectores alternativos ganham peso
Na hotelaria, o investimento deverá manter-se forte em 2026, com foco nos segmentos luxo e upscale, procurando captar turistas de maior valor acrescentado, em particular do mercado norte-americano. Em paralelo, sectores alternativos como agribusiness, data centers e energia ganham relevância crescente no portefólio imobiliário nacional.
Segundo a CBRE, num contexto internacional marcado por incerteza geopolítica, o imobiliário português tem conseguido transformar volatilidade externa em oportunidade estratégica, afirmando-se como um mercado mais resiliente, diversificado e atractivo para investimento de longo prazo.

















