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“Habitar Portugal" reúne 100 obras de arquitectura de 50 anos de democracia no CCB

CCB, visto do Padrão dos Descobrimentos. Foto Wikipedia

“Habitar Portugal" reúne 100 obras de arquitectura de 50 anos de democracia no CCB

29 de janeiro de 2026

A exposição “Habitar Portugal 1974–2024”, com uma selecção de 100 projectos de arquitectura dentro e fora de Portugal ao longo de 50 anos de democracia, é inaugurada em 11 de Fevereiro no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Comissariada pelos arquitectos Alexandra Saraiva, Célia Gomes e Rui Leão, esta edição especial da iniciativa da Ordem dos Arquitectos em parceria com o centro de arquitectura do Museu de Arte Contemporânea do Centro Cultural de Belém (MAC/CCB) estará patente ao público até 26 de Abril, segundo a organização.

Em evidência, nesta selecção, estarão obras como o Bairro 11 de Março, em Olhão, de José Maria Lopes da Costa, a Pousada de Santa Marinha da Costa, em Guimarães, de Fernando Távora, a Casa das Mudas, na Madeira, de Paulo David, ou a Embaixada de Portugal em Brasília, de Raúl Chorão Ramalho.

Lançada em 2003, a exposição "Habitar Portugal" visa divulgar a arquitectura contemporânea produzida por arquitectos portugueses em Portugal e no estrangeiro procurando destacar a abrangência territorial, diversidade de autores e representatividade das obras “seleccionadas como um referencial da qualidade da arquitectura portuguesa e do seu contributo para o desenvolvimento económico e social do país”, assinala a organização.



Para a sétima edição, dedicada ao período entre 1974 e 2024, a Ordem dos Arquitectos desafiou uma equipa curatorial com experiências profissionais e geográficas distintas para assinalar meio século de arquitectura portuguesa em democracia, "num contexto marcado por profundas transformações políticas, sociais, económicas e territoriais", justifica a entidade.

Para além da apresentação das obras, a exposição propõe uma leitura alargada da arquitectura produzida desde o último quartel do século XX até à actualidade, integrando diferentes escalas, programas e contextos e convidando o público a reflectir sobre o significado contemporâneo de habitar em Portugal.

O objectivo é sensibilizar para o "reconhecimento da arquitectura como veículo cultural e político, cívico e determinante na construção de um futuro mais consciente do território e dos seus recursos".

A mostra está dividida em três eixos temáticos: o primeiro, "Arquitetura como gesto político", reúne obras que evidenciam o papel da arquitectura como instrumento de transformação social, desde a habitação social à infraestrutura urbana, dando como exemplos o Conjunto Habitacional Pantera Cor de Rosa, em Lisboa, de Gonçalo Byrne e António Reis Cabrita, a Câmara Municipal de Matosinhos, de Alcino Soutinho, a Assembleia Regional dos Açores, de Manuel Correia Fernandes, exemplos da dimensão social, institucional e simbólica da arquitectura produzida após 1974.

Pousada de Santa Marinha da Costa, em Guimarães, de Fernando Távora



No segundo eixo - "A persistência da memória" - é valorizada a intervenção no património edificado, destacando projectos que dialogam com a história e a memória colectiva, através de novas funções e soluções arquitectónicas, em projectos como o Convento de São Francisco, em Vila Franca do Campo, São Miguel, de Teresa Nunes da Ponte, a reabilitação do Mercado do Bolhão, no Porto, por Nuno Valentim, o Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas, nos Açores, por Menos é Mais e João Mendes Ribeiro.

O terceiro eixo, intitulado "Ruturas e Novas Configurações", apresenta obras que exploram novas linguagens, tecnologias e programas, antecipando novos modos de habitar, com especial atenção à sustentabilidade, à inovação e às transformações sociais e culturais contemporâneas, descreve a Ordem dos Arquitectos.

Este terceiro eixo reúne obras como o Hotel Dom Henrique, no Porto, de José Carlos Loureiro com Luís Pádua Ramos, o Museu do Côa, de Camilo Rebelo e Tiago Pimentel, ou o Centro de Interpretação do Românico, em Lousada, dos Spaceworkers, projectos que “evidenciam novas linguagens, abordagens tecnológicas e formas contemporâneas de habitar”.

Entre outros projectos em destaque na selecção fora de Portugal estão a Marginal da Baía de Luanda, em Angola, de Alexandre Costa Lopes, Cinco Jardins de Infância, na Guiné-Bissau, do Colectivo Mel, e o Desert X Al Ula Visitor Centre, na Arábia Saudita, de Ricardo Gomes, KWY.studio.

A Ordem dos Arquitectos ressalva que a exposição "não pretende ser exaustiva", mas sobretudo "desafiar o visitante a olhar para além do passado, questionando os desafios do presente e antecipando o futuro".

Lusa/DI