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Financiamentos acima de 80% disparam no arranque de 2026

Crédito Habitação

Financiamentos acima de 80% disparam no arranque de 2026

21 de maio de 2026

O mercado do crédito habitação em Portugal entrou em 2026 com sinais claros de maior dependência do financiamento bancário e da garantia pública do Estado, sobretudo entre os compradores mais jovens. Os dados do mais recente relatório trimestral do idealista/créditohabitação revelam um aumento expressivo do peso dos empréstimos com financiamento superior a 80%, num contexto marcado pela elevada pressão dos preços da habitação e pela crescente dificuldade de acesso à compra de casa.

Segundo o estudo, mais de metade dos créditos habitação finalizados pelos intermediários de crédito do idealista no início de 2026 — cerca de 51% — recorreram à garantia pública do Estado destinada a jovens compradores. No mesmo período do ano passado, esta percentagem situava-se apenas nos 13,5%, evidenciando a rápida adesão a este mecanismo de apoio.

Ao mesmo tempo, o relatório mostra que 67,6% dos novos empréstimos contratados tiveram financiamentos acima de 80% do valor do imóvel, sendo que 16,5% dos créditos apresentaram rácios entre 80% e 90%. Face ao mesmo período de 2025, o peso das famílias a recorrer a financiamentos mais elevados aumentou 10,9 pontos percentuais.

Os números reflectem um mercado onde as famílias dependem cada vez mais da banca para conseguirem concretizar a compra de habitação, numa altura em que os preços continuam elevados e a capacidade de poupança permanece limitada.

De acordo com os dados do idealista/créditohabitação, o preço médio de compra das habitações financiadas foi de 254.365 euros, enquanto o montante médio solicitado junto da banca rondou os 211 mil euros. Isto traduz-se num financiamento médio de 86% do valor da aquisição, mais cinco pontos percentuais do que há um ano.

O perfil das famílias que recorreram ao crédito também evidencia a pressão financeira sentida no acesso à habitação. Quase três em cada quatro contratos foram celebrados por agregados com rendimentos mensais até 4.000 euros, demonstrando que a procura por financiamento continua fortemente concentrada na classe média.

A crescente utilização da garantia pública do Estado surge, assim, como um instrumento decisivo para muitos jovens compradores conseguirem entrar no mercado imobiliário, sobretudo num cenário em que os preços das casas permanecem elevados e as exigências de capitais próprios continuam a representar uma barreira significativa.

Ainda assim, o aumento dos financiamentos mais elevados também levanta questões sobre o nível de esforço financeiro das famílias e sobre a sustentabilidade do mercado habitacional no médio prazo, numa conjuntura em que o acesso à habitação continua a ser um dos principais desafios económicos e sociais em Portugal.