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Empresas de inteligência artificial já representam 17% dos negócios tecnológicos em escritórios prime
As empresas de inteligência artificial estão a ganhar peso no mercado global de escritórios prime e já representam 17% dos negócios realizados por ocupantes do sector tecnológico no primeiro semestre de 2026, segundo a Savills. O valor compara com apenas 3% em 2024, evidenciando a rápida expansão da procura por parte das empresas de IA.
Mais do que o aumento do número de operações, destaca-se a natureza da procura: todas as transacções realizadas por empresas de inteligência artificial no primeiro semestre corresponderam a expansões de espaço. São Francisco, Seattle e a zona londrina de West End estão entre os principais polos onde esta tendência é mais evidente.
O crescimento das empresas de IA ocorre num mercado de escritórios prime globalmente estável, mas marcado por uma forte preferência dos ocupantes pelos edifícios de maior qualidade e pelas localizações mais valorizadas.
De acordo com o relatório Market Makers, da Savills, que analisou os dez maiores negócios por dimensão em 47 cidades, integradas em 40 mercados globais, as expansões representaram 58% de toda a actividade ocupacional no primeiro semestre de 2026. Em sentido contrário, apenas 5% das operações envolveram uma redução da área ocupada.
Empresas de IA disputam os escritórios de maior qualidade
A crescente presença das empresas de inteligência artificial está a intensificar a competição pelo espaço de escritórios prime em alguns dos principais mercados mundiais.
São Francisco, Londres e Shenzhen destacam-se entre as cidades onde a procura associada às empresas de IA está a ocupar rapidamente espaços de elevada qualidade, aumentando a pressão sobre os edifícios mais procurados.
“A influência crescente dos ocupantes ligados a IA e tecnologia foi evidente no primeiro semestre. Em cidades como São Francisco, Londres e Shenzhen, a procura destas empresas ocupa rapidamente espaço de elevada qualidade e intensifica a competição pelos escritórios mais desejados”, afirma Sarah Brooks, Associate Director da Savills World Research.
Segundo a responsável, caso esta tendência se mantenha, o sector de inteligência artificial poderá assumir uma influência crescente sobre os mercados de escritórios noutras geografias.
Custos de ocupação prime sobem 5,3% num ano
A maior procura por espaços de qualidade ocorre num contexto de aumento dos custos de ocupação. As despesas totais de ocupação de escritórios prime, que incluem rendas e custos de instalação, aumentaram 1% no segundo trimestre de 2026.
Em termos homólogos, a subida chega aos 5,3%. A evolução foi, contudo, diferente entre regiões: os custos cresceram 0,5% na EMEA e na Ásia-Pacífico, enquanto na América do Norte avançaram 2,1%.
São Francisco liderou as subidas trimestrais, com um aumento de 7,7%, seguida pelo centro de Nova Iorque, com 5,6%. Washington DC registou uma subida de 4%, enquanto Seul e Melbourne apresentaram aumentos de 3,8% e 3,6%, respectivamente.
“As organizações continuam a privilegiar escritórios premium, concentram a procura nos melhores edifícios das localizações mais desejadas e mantêm a pressão em alta sobre os custos”, afirma Rick Schuham, CEO da área de Global Occupier Services da Savills.
O responsável salienta, contudo, que existem mercados onde a dinâmica é diferente. É o caso dos principais mercados da China continental, onde a maior disponibilidade de espaço está a criar oportunidades para empresas que procuram escritórios a custos mais moderados.
Flexíveis também aceleram expansões
As empresas de inteligência artificial não são, contudo, as únicas ocupantes a aumentar a sua presença nos escritórios prime. Os operadores de escritórios flexíveis foram o grupo mais propenso a expandir no primeiro semestre de 2026, com 78% das suas operações a corresponderem a aumentos de área.
Os dados da Savills mostram, assim, um mercado onde a procura não está distribuída de forma uniforme. Enquanto alguns ocupantes reduzem a sua presença ou procuram soluções mais eficientes, outros continuam a disputar os espaços de maior qualidade.
Neste contexto, a evolução da oferta disponível assume um papel cada vez mais relevante nas decisões imobiliárias das empresas. A combinação entre localização, qualidade dos edifícios e disponibilidade de espaço está a determinar não só os níveis de procura, mas também a evolução dos custos de ocupação.
A expansão das empresas de inteligência artificial acrescenta uma nova dimensão a esta dinâmica. Com operações cada vez maiores e uma preferência clara por edifícios prime, o sector começa a assumir um peso crescente na procura global de escritórios e poderá tornar-se um dos principais motores da actividade ocupacional nos mercados mais tecnológicos.
















