
DR
Em Portugal os preços das casas vão desde os 67.000 euros aos 1.350.000 euros
De 67 mil a euros a 1,35 milhões de euros, o mais recente Barómetro de Concelhos do Imovirtual mostra que, em Abril a disparidade entre concelhos no mercado imobiliário está a aumentar.
A análise do portal imobiliário refere que mais do que uma diferença de preços, esta amplitude revela um mercado cada vez mais desigual, onde a localização se torna determinante no acesso à habitação.
Entre os concelhos mais caros do país, o top 10 é liderado por Cascais (1.350.000 euros (€)) e Grândola (€1.300.000), seguindo-se Calheta (Madeira) (€920.000), Loulé (€799.000) e Castro Marim (€780.000). O ranking inclui ainda São Brás de Alportel (€750.000), Oeiras (€720.000), Lisboa (€703.000), Faro (€654.500) e Funchal (€650.000), reflectindo uma forte concentração de preços elevados no litoral, Algarve e regiões insulares.
Esta concentração não é apenas geográfica — traduz também uma pressão crescente sobre determinados territórios, onde a procura supera a oferta disponível e contribui para uma valorização mais acelerada dos preços.
Dentro destes mercados, observam-se dinâmicas distintas na evolução dos preços. São Brás de Alportel regista uma valorização anual de +52%, passando de €495.000 para €750.000, evidenciando a crescente atratividade de mercados secundários. Em sentido contrário, Lisboa apresenta um ligeiro ajustamento de -2%, de €720.000 para €703.000, sinalizando uma possível fase de estabilização após períodos de forte valorização.
No segmento mais acessível, o top 10 dos concelhos com preços mais baixos evidencia uma realidade completamente distinta. Vimioso lidera com €67.000, seguido de Almeida (€69.000) e Nisa (€69.500). Seguem-se Proença-a-Nova e Gouveia (ambos €70.000), Mação (€72.500), Penedono e Miranda do Douro (ambos €72.500), Alfândega da Fé (€75.000) e Chamusca (€75.000).
Mais do que acessibilidade, estes valores refletem menor dinamismo de mercado, menor liquidez e menor pressão da procura, fatores que condicionam a evolução dos preços nestes territórios.
No arrendamento, a disparidade entre concelhos mantém-se evidente. Os valores variam entre cerca de €740 em Coimbra e os €2.560 em Cascais, refletindo diferenças significativas no custo de acesso à habitação.
Entre os concelhos com rendas mais elevadas, o top 10 é liderado por Cascais (€2.560), seguido de Lisboa (€1.850) e Oeiras (€1.700). O ranking inclui ainda Lagos (€1.650), Funchal (€1.625), Faro (€1.539), Albufeira (€1.514), Tavira (€1.500), Óbidos (€1.400) e Sintra (€1.400), evidenciando a pressão da procura nas zonas costeiras e turísticas.
Nos mercados de arrendamento com valores mais baixos, o top 10 evidencia uma realidade distinta. Coimbra surge como o mercado mais acessível, com uma renda média de €740, seguido de Guimarães (€848) e Leiria (€850). O ranking inclui ainda São João da Madeira (€850), Beja (€855), Santarém (€950), Aveiro (€950), Peniche (€1.000), Nazaré (€1.100) e Braga (€1.100).
Mesmo nos mercados mais acessíveis, os valores mantêm-se acima dos €700, evidenciando uma subida generalizada no custo do arrendamento em todo o país.
"O que estes dados mostram é um mercado cada vez mais fragmentado, onde os preços deixam de refletir uma tendência nacional e passam a ser definidos por dinâmicas muito locais. Concelhos com maior pressão da procura e menor oferta disponível continuam a valorizar, enquanto mercados com menor liquidez tendem a estabilizar ou corrigir. Esta divergência está a acentuar as diferenças no acesso à habitação entre territórios", afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.
O estudo mostra ainda que este comportamento evidencia uma mudança estrutural no mercado imobiliário. Mais do que uma tendência nacional homogénea, são hoje as características específicas de cada território que determinam a evolução dos preços, reforçando um cenário de crescente desigualdade entre concelhos.















