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Com um milhão de euros, em Lisboa, compram-se menos 13 m2 do que há cinco anos

Lisboa

Com um milhão de euros, em Lisboa, compram-se menos 13 m2 do que há cinco anos

27 de abril de 2026

O mercado imobiliário de luxo continua a valorizar a nível global, reduzindo o poder de compra dos investidores — uma tendência que também se faz sentir em Portugal. Em Lisboa, um milhão de euros permite hoje adquirir cerca de 80 metros quadrados de habitação prime, menos 13 m² do que há cinco anos, quando o mesmo montante comprava 93 m².

Os dados constam da mais recente edição do The Wealth Report, da Knight Frank -  da qual a portuguesa Quintela & Penalva é associada desde 2021, que analisa o desempenho de 100 mercados residenciais de luxo em todo o mundo. Segundo o relatório, os preços neste segmento cresceram, em média, 3,2% em 2025, superando os mercados residenciais tradicionais pelo segundo ano consecutivo.

No total, 73 dos 100 mercados analisados registaram aumentos de preços. Tóquio destacou-se com a maior valorização, ao subir 58,5% no valor dos apartamentos novos de luxo. Já Dubai manteve-se como o mercado mais dinâmico para ativos acima de 10 milhões de dólares, com uma subida de preços de 25,1% e cerca de 500 transações neste segmento.

Em termos regionais, o Médio Oriente liderou os ganhos (+9,4%), seguido pela América Latina e Caraíbas (+4,7%), Ásia-Pacífico (+3,6%) e Europa (+3,3%). Em contraciclo, a América do Norte registou uma ligeira descida de 0,9%, pressionada pelo mercado canadiano.

Poder de compra em queda nos principais mercados

O relatório evidencia uma tendência global clara: com o aumento dos preços, o poder de compra dos investidores tem vindo a diminuir. Entre 2020 e 2025, um milhão de dólares passou a comprar significativamente menos área em cidades como Dubai (-66%), Tóquio (-41%), Miami (-40%) e Los Angeles (-28%).

Alguns mercados contrariaram esta tendência, como Londres (+7%) e Melbourne (+4%), enquanto Hong Kong se manteve estável.

A mobilidade ultra-elevada está a transformar os padrões de compra, com um número crescente de indivíduos com elevado património líquido (UHNWI) a passar menos de 90 dias por ano nos centros tradicionais, impulsionando a procura por arrendamento ultra-prime.

O relatório indica ainda que novos hotspots incluem Mumbai (+8,7%), Brisbane (rápido crescimento no segmento de luxo), Miami (+67% em cinco anos) e Hong Kong (recuperação no segmento ultra-prime).

A escassez global de habitações prontas a habitar continua a ser a principal para o aumento dos preços no que toca a imóveis “chave-na-mão”.

Liam Bailey, editor do The Wealth Report, em comentário global a este estudo sublinha que “em muitos mercados, o imobiliário residencial prime tem-se distanciado do sector habitacional em geral, sustentado pela força da criação de riqueza. Enquanto os mercados tradicionais continuam expostos a pressões económicas mais amplas, o ritmo a que a riqueza está a ser gerada ajuda a manter a procura por imóveis de luxo mais resiliente, mesmo face à recente volatilidade nos custos de financiamento.”

Procura e escassez continuam a pressionar preços

Segundo Carlos Penalva, a evolução do mercado em Portugal resulta de vários fatores, incluindo a descida das taxas de juro, a instabilidade geopolítica internacional e a transferência de capital para ativos reais, como o imobiliário.

O responsável sublinha ainda que a escassez de oferta, combinada com uma procura elevada, deverá continuar a sustentar a valorização dos preços, em particular no segmento de luxo.

O retrato traçado pelo relatório aponta, assim, para um mercado global em que o crescimento da riqueza e o interesse internacional continuam a alimentar a procura, ao mesmo tempo que reduzem o acesso a metros quadrados — uma realidade cada vez mais visível também em Lisboa.