
Casa do Parque IV, em Santo Tirso - Fotografia de Ivo Tavares

Casa do Parque IV, em Santo Tirso - Fotografia de Ivo Tavares

Casa do Parque IV, em Santo Tirso - Fotografia de Ivo Tavares

Casa do Parque IV, em Santo Tirso - Fotografia de Ivo Tavares
Casa centenária em Santo Tirso renasce entre a memória e a arquitetura contemporânea
Uma habitação centenária junto ao Parque D. Maria II, em Santo Tirso, ganhou uma nova vida através de um projecto de reabilitação que procurou preservar a identidade do edifício, conciliando património, memória e arquitetura contemporânea. Assinada pelo atelier Ricardo Azevedo x Partners (RAxP), a Casa do Parque IV foi concebida para um casal com fortes ligações ao Médio Oriente, transformando-se num espaço onde as experiências de vida dos proprietários se reflectem na arquitectura.
Com cerca de 375 metros quadrados, a intervenção partiu da recuperação de uma casa do início do século XX, mantendo a sua essência histórica, mas adaptando-a às exigências contemporâneas. Mais do que uma simples reabilitação, o projecto pretende afirmar-se como um exercício de memória, identidade e pertença, profundamente ligado à relação emocional dos proprietários com a cidade de Santo Tirso.
Segundo Ricardo Azevedo, fundador do atelier, o ponto de partida foi compreender quem iria habitar a casa.
"O processo começa sempre com as pessoas. Acredito que a arquitectura nasce da empatia. Interesso-me por quem são, como vivem, o que valorizam", afirma o arquitecto.
Património preservado e novas linguagens arquitectónicas
A intervenção privilegiou a preservação dos elementos de maior valor patrimonial. Na fachada principal foram mantidos os revestimentos cerâmicos originais e as janelas existentes, preservando a imagem urbana da habitação. Em contraste, o novo volume acrescentado no piso superior assume uma linguagem contemporânea, revestida integralmente a zinco, estabelecendo um diálogo entre o passado e o presente.
Também uma antiga construção em ruínas, localizada nas traseiras do lote, foi integrada no projeto, reforçando a relação entre os diferentes volumes, os espaços exteriores e as áreas de circulação.
Influência discreta do Médio Oriente
As vivências do casal no Médio Oriente marcaram igualmente o projecto, embora de forma subtil. Em vez de reproduzir elementos decorativos tradicionais, a arquitectura incorpora referências sensoriais através das texturas, dos materiais, das tonalidades e de apontamentos cerâmicos distribuídos pela casa e pelas zonas exteriores, incluindo junto à piscina.
No exterior, destaca-se ainda uma parede verde junto à piscina, concebida para reforçar a ligação visual entre arquitectura e paisagem, criando um contraste com a vegetação envolvente.
Espaços pensados para conviver
A organização da habitação distingue claramente as zonas sociais e privadas. O piso térreo concentra os espaços destinados ao convívio entre família e amigos, enquanto o piso superior foi reservado à área mais íntima da casa, inicialmente concebida para as filhas do casal. No interior, as paredes em pedra da construção original foram recuperadas e conjugadas com madeiras claras e tonalidades suaves, procurando transmitir serenidade e conforto.
Entre os elementos mais marcantes da intervenção destaca-se uma escadaria amarela que atravessa os diferentes pisos e assume o papel de peça central da composição arquitetónica. Inspirada nas cores presentes no atelier do arquitecto, funciona como um elemento de identidade visual da casa.
Na cave, revestida integralmente a microcimento, foram criadas uma sala de cinema e uma área expositiva dedicada aos prémios de um dos proprietários, reforçando a dimensão cultural e personalizada do projecto.
Ao longo de toda a intervenção, pedra, cerâmica e zinco coexistem como materiais que representam diferentes épocas da habitação. O resultado é uma casa onde património, arquitectura contemporânea e histórias de vida se fundem numa linguagem intimista e intemporal.




















