
Margarita Oltra, Regional Manager da Engel & Völkers Portugal
Sazonalidade do Algarve: A tendência mantém-se ou há uma nova realidade?
Durante muito tempo, o mercado imobiliário do Algarve limitava-se a viver sobre o termo “sazonalidade”, que se traduzia numa procura intensa no verão, e, quando esta estação terminava, a procura diminuía de forma drástica. A compra de casas no Algarve era uma tendência que se verificou durante vários anos, onde os investidores, sobretudo estrangeiros, aproveitavam esta época para visitar a região, ver a oferta de casas, particularmente com vista para o mar e avançava para uma decisão de compra ainda durante o clima de férias.
No entanto, este cenário tem vindo a mudar. A sazonalidade, embora seja um conceito ainda presente, já não marca esta tendência de forma tão acentuada como se verificava há uns anos. O Algarve atualmente vive uma situação mais estável, diversa e menos dependente deste ciclo de turismo tradicional.
Hoje, o Algarve é muito mais do que um destino de férias, está a transformar-se num lugar onde se vive, não apenas durante duas ou três semanas por ano, mas ao longo dos doze meses. A pandemia foi a principal impulsionadora desta mudança. Com o crescimento do teletrabalho, muitas pessoas, em particular do norte e centro da Europa, começaram a procurar locais onde conseguissem melhores condições de vida para viverem durante o ano inteiro. O Algarve, com as suas praias deslumbrantes, campos de golfe, clima temperado, segurança, tranquilidade e acessibilidade, rapidamente se tornou uma escolha óbvia. Atualmente, já não são apenas turistas que aproveitam o Algarve apenas nos meses de verão, são nómadas digitais, profissionais em regime remoto e reformados que procuram o estilo e qualidade de vida que a região continua a oferecer.
Esta nova realidade reflete-se nas dinâmicas do mercado, onde a procura já não é feita apenas por turistas britânicos que querem comprar uma segunda residência perto da praia, é feita também por franceses, alemães, holandeses e até norte-americanos que querem viver cá, alguns de forma permanente, outros por longos períodos. Este tipo de investidores, procuram conforto, os bons acessos, serviços de qualidade e, claro, o clima ameno típico de Portugal.
Outra diferença que também é visível é nos critérios de compra. A procura de casas com bom isolamento, espaço exterior, cozinhas equipadas e espaço para trabalhar a partir de casa passaram a ser prioridade.
Com estes novos critérios e tendências, alguns dos negócios que anteriormente se classificavam como sazonais, agora mantêm as suas portas abertas durante o ano inteiro. Além disso, também é visível que, por exemplo, a oferta cultural e o número de eventos também se alargaram para abranger os meses de inverno.
Posto isto, a sazonalidade continua a ser uma realidade, uma vez que o verão continua a ser o período do ano mais dinâmico. No entanto, há uma tendência visível para a sua dissipação, já que a sazonalidade perdeu o seu papel dominante e determinante e com isso, já não define o ritmo do mercado, e isto é um fator que confere estabilidade aos negócios da região e aos consultores imobiliários uma vez que permite planear com mais rigor e estabilidade, manter equipas ativas e trabalhar relações comerciais sem depender de uma janela limitada de tempo.
Margarita Oltra
Regional Manager da Engel & Völkers Portugal
*Texto escrito com novo Acordo Ortográfico