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Habitação - Foto DI

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Preço mediano das casas em Portugal sobe 18,4%, mas vendas caem 9%

23 de outubro de 2026

O preço mediano das casas vendidas em Portugal aumentou 18,4% no segundo trimestre de 2026, face ao mesmo período do ano passado, para 2.445 euros por metro quadrado, apesar de o número de transações ter recuado 9%. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), nas Estatísticas de Preços da Habitação ao nível local, publicadas a 23 de outubro.

Entre abril e junho, foram transacionados 37.854 alojamentos familiares no país, menos 9% do que no período homólogo, quando se tinham registado 41.608 vendas. A subida dos preços abrandou face ao primeiro trimestre, período em que a variação homóloga tinha sido de 19,8%.

Em termos trimestrais, o preço mediano aumentou 4,6% entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026.

Lisboa, Cascais e Oeiras lideram nos preços

Lisboa foi o município com o preço mediano da habitação mais elevado no segundo trimestre, com 5.299 euros por metro quadrado. Seguiram-se Cascais, com 5.200 euros, e Oeiras, com 4.704 euros por metro quadrado.

O Funchal também apresentou um valor superior à média nacional, com 3.636 euros por metro quadrado, acompanhado por uma subida homóloga de 24,2%.

Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, Barcelos e Guimarães destacaram-se pelo crescimento dos preços, com aumentos homólogos de 28,7% e 28,6%, respetivamente. Braga registou uma subida de 21,6%, para um preço mediano de 2.417 euros por metro quadrado.

Na Área Metropolitana do Porto, Gondomar e Maia foram os únicos municípios a apresentar taxas de crescimento homólogo superiores à média nacional, com aumentos de 22,9% e 18,8%, respetivamente.

Loures e Matosinhos aceleram crescimento

A evolução dos preços não foi uniforme entre os 24 municípios com mais de 100 mil habitantes analisados pelo INE. Em dez deles, o crescimento homólogo acelerou face ao primeiro trimestre, menos um do que no período anterior.

Loures registou a maior aceleração, de 9,7 pontos percentuais, seguido de Matosinhos, com 9,5 pontos percentuais. Em sentido contrário, Guimarães apresentou a maior desaceleração, de 13,4 pontos percentuais.

Lisboa e Porto também registaram abrandamentos na evolução dos preços. A taxa de variação homóloga diminuiu 8,9 pontos percentuais em Lisboa e 5,4 pontos percentuais no Porto entre o primeiro e o segundo trimestres.

Grande Lisboa e Algarve entre as regiões mais caras

Ao nível das sub-regiões, a Grande Lisboa apresentou o preço mediano mais elevado, com 4.030 euros por metro quadrado, seguida do Algarve, com 3.500 euros, da Península de Setúbal, com 3.069 euros, da Região Autónoma da Madeira, com 2.816 euros, e da Área Metropolitana do Porto, com 2.669 euros.

Todas as 26 sub-regiões NUTS III registaram aumentos homólogos dos preços da habitação. As maiores subidas verificaram-se no Médio Tejo, com 25,4%, no Oeste, com 24%, e na Lezíria do Tejo e Região Autónoma dos Açores, ambas com 23,9%. A Península de Setúbal registou um aumento de 22,2%.

No que respeita ao número de transações, a Área Metropolitana do Porto registou uma das maiores quebras homólogas, de 16,2%, enquanto a Região Autónoma da Madeira apresentou uma descida de 17,9%. Apesar da redução das vendas, a Grande Lisboa e a Área Metropolitana do Porto concentraram, em conjunto, 34,3% das transações nacionais no trimestre.

Compradores estrangeiros pagam mais nas regiões metropolitanas

Os dados do INE mostram também diferenças entre as compras realizadas por pessoas com domicílio fiscal em Portugal e no estrangeiro. No segundo trimestre, o preço mediano das transações envolvendo compradores com domicílio fiscal no estrangeiro foi de 3.182 euros por metro quadrado, mais 15,7% do que um ano antes.

Nas transações envolvendo compradores com domicílio fiscal em território nacional, o valor mediano foi de 2.421 euros por metro quadrado, uma subida homóloga de 18,6%.

Na Grande Lisboa, o preço mediano pago por compradores com domicílio fiscal no estrangeiro foi 47% superior ao dos compradores nacionais. Na Área Metropolitana do Porto, a diferença atingiu 37,5%.

Lisboa mantém o preço mais elevado no balanço anual

Considerando os 12 meses terminados em junho de 2026, o preço mediano da habitação em Portugal situou-se em 2.264 euros por metro quadrado, após um aumento de 17,7% face aos 12 meses anteriores. Neste período, foram realizadas 156.713 transações.

Lisboa manteve a posição de município mais caro do país, com um preço mediano de 5.192 euros por metro quadrado. Cascais registou 4.889 euros, Oeiras 4.438 euros e Loulé 4.137 euros.

Na cidade de Lisboa, a freguesia de Santo António apresentou o preço mediano mais elevado, com 7.254 euros por metro quadrado, seguida do Parque das Nações, com 6.269 euros, e das Avenidas Novas, com 6.144 euros.

No Porto, o preço mediano municipal foi de 3.631 euros por metro quadrado. A União de Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória registou 4.160 euros, enquanto Ramalde atingiu 3.636 euros. Ambas apresentaram aumentos homólogos de 25,3%, acima dos 18,7% registados pelo município.

Os dados do INE são calculados com base em informação administrativa da Autoridade Tributária e Aduaneira e dizem respeito aos preços medianos das habitações efetivamente transacionadas, não aos valores anunciados nos mercados imobiliários.