
procura de casa
Portugueses entram no mercado da habitação com orçamentos mais elevados
Os portugueses estão a ajustar as suas expectativas financeiras para conseguirem comprar casa. A subida continuada dos preços da habitação está a levar os compradores a entrar no mercado com orçamentos mais elevados, tornando a faixa entre os 200 mil e os 300 mil euros a mais procurada do país.
A conclusão é do mais recente estudo do Imovirtual, que analisou a procura por apartamentos e moradias para compra nos últimos três meses e a comparou com o mesmo período do ano passado. Pela primeira vez, os imóveis entre os 200 mil e os 300 mil euros concentram 45% de todas as pesquisas realizadas na plataforma, ultrapassando os imóveis até 200 mil euros, que durante anos lideraram as preferências dos compradores.
Esta alteração representa uma mudança estrutural no comportamento da procura. Há um ano, os imóveis até 200 mil euros representavam 46,9% das pesquisas. Atualmente, esse peso caiu para 32,1%. Ainda assim, o interesse por este segmento continua a crescer 78% em termos anuais, demonstrando que a procura por habitação mais acessível permanece elevada, embora já não acompanhe o ritmo dos restantes segmentos do mercado.
Segmentos intermédios registam os maiores crescimentos
É precisamente nos escalões intermédios que se verificam as maiores evoluções.
A procura por imóveis entre 200 mil e 300 mil euros aumentou 227,3% face ao mesmo período de 2025. Nos imóveis entre 300 mil e 400 mil euros, o crescimento atinge 253%, enquanto a faixa entre 400 mil e 500 mil euros regista o maior aumento, com uma subida de 266%.
Mesmo o segmento acima dos 500 mil euros continua a ganhar expressão, registando um crescimento anual de 170%.
No conjunto, os imóveis com preços superiores a 300 mil euros representam já 23% da procura nacional, evidenciando uma deslocação progressiva dos compradores para orçamentos mais elevados.
Segundo Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual, esta evolução traduz sobretudo uma adaptação dos compradores ao contexto atual do mercado.
"O que estamos a observar é uma adaptação muito clara dos compradores à realidade do mercado. Em vez de abandonarem a procura, muitos estão a reajustar o orçamento disponível para continuarem ativos no mercado. Esta mudança explica porque é que as faixas intermédias ganham hoje tanto peso e mostra que a procura para compra continua activa".
Lisboa e Porto concentram a procura nos segmentos mais caros
A distribuição geográfica da procura varia significativamente consoante o valor dos imóveis.
Nos imóveis até 200 mil euros, a procura apresenta uma dispersão mais equilibrada pelo território nacional. Santarém concentra 12% das pesquisas, seguindo-se Coimbra e Porto, ambos com 11%. Entre os concelhos, Coimbra lidera com 3%, seguida de Lisboa e Ourém, ambos com 2%.
À medida que o orçamento aumenta, a concentração desloca-se para as áreas metropolitanas.
Na faixa entre 200 mil e 300 mil euros, Porto (27%) e Lisboa (26%) representam mais de metade da procura nacional, seguidos de Setúbal (12%). Entre os concelhos destacam-se Vila Nova de Gaia e Sintra, ambos com 7%.
Nos imóveis entre 300 mil e 400 mil euros, Lisboa concentra já 35% das pesquisas, seguida do Porto (24%) e Setúbal (16%).
Entre 400 mil e 500 mil euros, o peso da capital sobe para 45%, enquanto acima dos 500 mil euros Lisboa representa 65% da procura nacional. Cascais surge como o concelho mais procurado neste segmento premium, concentrando 29% das pesquisas, seguido de Lisboa (14%) e Sintra (7%).
Tipologias maiores dominam os orçamentos mais elevados
O estudo revela igualmente diferenças no tipo de habitação procurada em função do orçamento disponível.
Nos imóveis até 200 mil euros predominam os T4 (28%), seguindo-se os T3 (25%) e os T2 (21%), reflectindo sobretudo a procura por moradias em mercados de menor preço.
Entre os 200 mil e os 300 mil euros, os T3 assumem a liderança, representando 37% das pesquisas, à frente dos T2 (27%) e dos T4 (23%).
Nos segmentos superiores, as tipologias maiores tornam-se claramente predominantes. Entre 300 mil e 400 mil euros, os T4 representam 45% da procura, valor que sobe para 64% na faixa entre 400 mil e 500 mil euros.
Acima dos 500 mil euros, os T4 continuam a liderar com 60% das pesquisas, mas cresce também o interesse por habitações T5 ou superiores, que já representam um quarto da procura neste segmento.
Mercado obriga compradores a rever expectativas
Os dados do Imovirtual mostram que o aumento dos preços da habitação está a alterar não apenas o valor dos imóveis, mas também o perfil financeiro dos compradores.
Em vez de abandonar o mercado perante a escalada dos preços, uma parte significativa da procura opta por aumentar o orçamento disponível, concentrando-se em segmentos que há poucos anos eram considerados acima da média do mercado.
A evolução confirma que a procura por compra de habitação continua robusta, mas cada vez mais adaptada à nova realidade dos preços, sobretudo nas áreas metropolitanas, onde a pressão da procura e a escassez de oferta continuam a empurrar os valores para níveis historicamente elevados.















