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Portugal mantém risco baixo e destaca-se entre as economias mais sólidas da zona euro
Portugal continua a afirmar-se como uma das economias mais resilientes da Europa, mantendo a classificação de risco país A2 (risco baixo) atribuída pela seguradora Coface, num contexto internacional marcado pelo agravamento das tensões geopolíticas, pelo aumento dos preços da energia e pela desaceleração económica global.
A conclusão consta da mais recente edição do Coface Risk Review, que actualizou as classificações de risco de vários países e setores de atividade. Enquanto oito economias viram a sua avaliação degradada, Portugal conservou a classificação A2, reforçando a posição entre os mercados considerados mais seguros para a actividade empresarial.
Segundo a Coface, a economia portuguesa continua a destacar-se como uma das mais dinâmicas da Zona Euro, a par de Espanha. No segundo trimestre de 2026, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,8% em cadeia, um desempenho bastante superior ao registado por economias como Alemanha, França e Itália, que avançaram apenas 0,2%.
Consumo e fundos europeus sustentam crescimento
O crescimento continua a ser impulsionado pelo consumo das famílias e pelo investimento financiado por fundos europeus. A taxa de desemprego, fixada em 5,6%, permanece no nível mais baixo desde 2001, contribuindo para sustentar a procura interna.
A imigração tem igualmente desempenhado um papel relevante na economia portuguesa. De acordo com a análise da Coface, quase metade (47%) dos novos postos de trabalho criados nos últimos 12 meses foi ocupada por trabalhadores estrangeiros.
Os indicadores de confiança mantêm-se positivos nos setores do comércio, da construção e dos serviços. Também o turismo continua a apresentar um desempenho robusto, com um crescimento de 3% em maio, beneficiando da perceção de Portugal como um destino seguro num contexto internacional de maior instabilidade.
Indústria continua a ser o ponto mais frágil
Apesar do dinamismo da economia, a indústria transformadora permanece o principal foco de preocupação. A produção industrial encontra-se praticamente ao mesmo nível de há três anos e continua cerca de 5% abaixo dos valores registados em meados de 2022.
A Coface identifica dificuldades persistentes em setores como a química, vestuário, mobiliário e indústria automóvel, reflectindo desafios que também afetam outras economias europeias.
Insolvências abaixo dos níveis pré-pandemia
Outro indicador considerado positivo é o comportamento das insolvências empresariais. Em Portugal, o número de empresas insolventes continua 8% abaixo dos níveis anteriores à pandemia, uma realidade pouco comum no panorama europeu.
Este desempenho reforça a capacidade de resistência do tecido empresarial nacional, apesar do ambiente económico internacional mais exigente.
Entre os países com menor risco empresarial
Na Europa, Portugal integra o restrito grupo de países classificados com risco A2, juntamente com Espanha, Países Baixos, Bélgica e Suécia. Economias de maior dimensão, como Alemanha, França e Reino Unido, permanecem na categoria A3 (risco satisfatório).
A nível global, Portugal partilha esta classificação com mercados desenvolvidos como os Estados Unidos, Japão e Austrália, consolidando a imagem de destino seguro para investimento e atividade empresarial.
Entretanto, a Coface agravou a classificação de risco de oito países nesta atualização. Indonésia, Malásia, Filipinas, Vietname e Kuwait desceram para a categoria B, enquanto Tanzânia passou para C e Camboja e Madagáscar recuaram para D, reflectindo o impacto crescente da instabilidade geopolítica e das pressões energéticas.
Apesar da expectativa de uma moderação do crescimento económico ao longo de 2026, a Coface considera que Portugal deverá continuar entre as economias com melhor desempenho da Zona Euro, sustentado pelo consumo privado, pelo investimento e por um contexto financeiro relativamente sólido.
















