
João Sousa, CEO JPS Group
O setor imobiliário como motor de regeneração económica dos territórios
Num contexto de transformação económica e territorial, o setor imobiliário afirma-se como um dos principais motores de regeneração dos territórios. Mais do que responder à procura por habitação ou espaços para atividades económicas, o setor imobiliário tem o potencial de atrair investimento, dinamizar economias locais e contribuir para um desenvolvimento mais equilibrado do país.
Ao promover a criação de novos empreendimentos, gera emprego, fomenta o comércio e fortalece a ligação entre diferentes regiões, tornando-se uma peça-chave na estratégia de crescimento sustentável nacional.
Os dados confirmam a relevância do setor. Em conjunto, o setor imobiliário com a construção, representa uma fatia significativa do PIB e sustenta centenas de milhares de empregos diretos e indiretos. Mas o verdadeiro impacto está no efeito multiplicador. Cada projeto tem potencial para dinamizar cadeias de valor locais, estimular serviços e reforçar a coesão territorial.
A questão crítica está na localização e na visão. Continuar a concentrar investimento nos mesmos polos agrava desequilíbrios. Desenvolver projetos fora dos grandes centros, com escala e integração funcional, pode inverter essa tendência. Isso exige coordenação entre promotores, entidades responsáveis pelas infraestruturas e políticas públicas.
A evolução das infraestruturas de mobilidade e a redistribuição da procura residencial criam uma janela de oportunidade. Regiões até agora secundárias podem tornar-se novas centralidades económicas, se existir investimento estruturado e não apenas iniciativas pontuais.
Projetos como a Herdade Real de Santiago, localizado em Pegões (Montijo), ilustram este potencial. Pela sua dimensão e conceito integrado, demonstram como o imobiliário pode ir além da construção e assumir um papel ativo na reorganização do território. O impacto estrutural dependerá de este tipo de abordagem passar a ser a regra e não a exceção.
O setor imobiliário deve, por isso, ser tratado como infraestrutura económica. Não como fim, mas como meio. Um meio para corrigir assimetrias, reforçar competitividade e criar condições para um crescimento mais equilibrado.
João Sousa
CEO da JPS GROUP
*Texto escrito com novo Acordo Ortográfico














