
Morreu José Luís Tinoco, arquitecto, músico, artista plástico, escritor
Morreu José Luís Tinoco, criador multidisciplinar que marcou a música, a arquitectura e a cultura portuguesa.
O compositor, arquiteto e artista plástico José Luís Tinoco morreu na quarta-feira, em Lisboa, aos 93 anos, confirmou fonte da família.
Autor de canções como “No teu poema”, “Um homem na cidade”, cantadas por Carlos do Carmo, ou“Madrugada” interpretada por Duarte Mendes, Tinoco destacou-se como uma das figuras mais versáteis da cultura portuguesa, com uma obra que atravessa a música, a arquitectura, o design e as artes visuais.
Nascido em Leiria, em 1932, iniciou a sua carreira no universo musical como pianista e integrou as primeiras formações do Hot Clube de Portugal. Ao longo das décadas, as suas composições foram interpretadas por nomes como Carlos do Carmo, Mário Laginha ou Ivan Lins, sendo frequentemente comparadas a standards internacionais.
Uma “obra diversificada, fulgurante e inspiradora”
Para além da música, deixou uma marca significativa noutras áreas artísticas. Trabalhou em ilustração, cartoon, fotografia, cenografia e figurinos para teatro e ópera, bem como em design gráfico e industrial. Desenvolveu também projectos de arquitectura e urbanismo, incluindo o plano do bairro do Rego, em Lisboa, que nunca chegou a ser concretizado.
Ao longo da sua carreira, colaborou ainda em iniciativas culturais de relevo, como o Levantamento da Arte Portuguesa Contemporânea, que dirigiu na década de 1980.
Reconhecido pelo seu contributo para a cultura, recebeu em 2014 o Prémio de Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores. Foi também alvo de várias homenagens, incluindo um espetáculo no Teatro São Luiz e um documentário exibido pela RTP.
A ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, reagiu à morte do criador, destacando a “obra diversificada, fulgurante e inspiradora” que deixa à cultura portuguesa.
Lusa/DI














