
João Sousa, CEO JPS Group
Mercado imobiliário em 2026 não vai ter espaço para euforias
Para o promotor imobiliário, João Sousa, CEO da JPS Group, as decisões de investimento para 2026 deixam de ser tomadas em ambiente de pressão extrema e passam a ser baseadas em execução, eficiência e controlo de risco.
Para a conferência dos NO Filters, realizada pelo Diário Imobiliário, no dia 4 Fevereiro, nas instalações do MAP Group, onde foram debatidos os temas: O mercado imobiliário em 2026, o que vai mudar e Oportunidades de Investimento em imobiliário em 2026, o responsável indica que para este ano, o comprador mantém vontade de comprar, mas está mais atento, mais informado e mais exigente. A confiança tende a melhorar se houver maior previsibilidade no crédito e no contexto macroeconómico, mas sem espaço para euforias.
Como caracteriza o desempenho do mercado imobiliário em 2025?
2025, foi um ano forte, mas exigente. Confirmou que o mercado imobiliário em Portugal continua sustentado por procura real e escassez de oferta.
Os preços subiram de forma expressiva, sobretudo no mercado do usado, e a actividade manteve-se resiliente. Não foi um ano fácil — foi um ano que exigiu rigor, execução e foco no produto certo. Quem teve projectos bem posicionados vendeu; quem falhou no preço ou na proposta sentiu mais resistência.se resiliente. Não foi um ano fácil — foi um ano que exigiu rigor, execução e foco no produto certo. Quem teve projectos bem posicionados vendeu; quem falhou no preço ou na proposta sentiu mais resistência.
Que expectativas existem para 2026, em termos de actividade e confiança?
2026 será de continuidade, com mais selectividade. A expectativa é de continuidade de actividade, mas com um mercado mais racional.
O comprador mantém vontade de comprar, mas está mais atento, mais informado e mais exigente. A confiança tende a melhorar se houver maior previsibilidade no crédito e no contexto macroeconómico, mas sem espaço para euforias.
2026 será melhor para investir?
Para investimento profissional e bem estruturado, 2026 tende a ser um ano mais favorável.
A principal razão é a maior previsibilidade: decisões de investimento deixam de ser tomadas em ambiente de pressão extrema e passam a ser baseadas em execução, eficiência e controlo de risco. O retorno deixa de depender apenas da valorização do mercado e passa a depender mais da qualidade do projecto e da capacidade de entrega.
Quais os segmentos com maior dinamismo?
Os segmentos que deverão liderar em 2026 são claros:
- Habitação para classe média, em localizações funcionais e com preços ajustados à realidade do crédito;
- Arrendamento e modelos “living”, sempre que a conta económica seja viável;
- Residências de estudantes e senior living, com crescente interesse institucional;
- Hotelaria e logística, onde os fundamentos de procura continuam sólidos.
Que impacto espera das políticas públicas e do contexto macroeconómico em 2026?
O impacto das políticas públicas será relevante, mas não imediato. Medidas de estímulo à oferta podem ajudar, mas o verdadeiro motor do sector continuará a ser:
- Acesso a financiamento,
- Velocidade de licenciamento,
- Controlo de custos,
- Capacidade de execução.
O sistema financeiro mantém-se funcional, mas mais selectivo. Projectos bem estruturados passam; projectos no limite enfrentam dificuldades.













