
Republica 50, Forum Algarve e Edifício Burgo. Alguns dos importantes ativos transacionados.
Investimento imobiliário cresce 33% no terceiro trimestre e atinge 630 milhões de euros
O investimento imobiliário em Portugal atingiu 630 milhões de euros no terceiro trimestre de 2026, um crescimento de 33% face aos três meses anteriores. Segundo os dados divulgados pela consultora Dils, o volume acumulado nos primeiros nove meses do ano ascendeu a dois mil milhões de euros, mais 7% do que no período homólogo de 2025.
De acordo com o relatório Dils Recap, divulgado esta terça-feira, 3 de novembro, o mercado imobiliário português mantém a capacidade de atrair capital internacional, apesar da incerteza económica e geopolítica e da maior seletividade dos investidores.
O investimento estrangeiro representou 75% do volume transacionado no trimestre, enquanto as estratégias core e core plus, centradas em ativos consolidados e de menor risco, concentraram mais de 80% do investimento.
O retalho liderou a atividade, com 195 milhões de euros, correspondentes a 31% do total trimestral, impulsionado pela venda do Forum Algarve à Alfana Investment Management. Nos primeiros nove meses do ano, o segmento acumulou 611 milhões de euros, apenas 8% abaixo do valor registado no período homólogo.
Os escritórios surgiram na segunda posição, com 112 milhões de euros investidos e o melhor desempenho trimestral do ano. Entre as principais transações destacaram-se o edifício Burgo, no Porto, e os imóveis Duque de Loulé 106 e República 50, em Lisboa.
Apesar desta recuperação, o investimento acumulado em escritórios, de 175 milhões de euros, permanece cerca de 40% abaixo do registado no mesmo período de 2025. Em Lisboa, a taxa de disponibilidade recuou para 8,4%, enquanto as rendas de referência nas localizações mais valorizadas se mantiveram nos 32 euros por metro quadrado mensais.
Logística e hotelaria mantêm peso no investimento
O segmento industrial e logístico registou 98 milhões de euros de investimento no trimestre, elevando o acumulado anual para 384 milhões de euros, acima do total alcançado em 2025.
Entre as operações mais relevantes figuram a aquisição do Logispark Montijo pela Saqax, a venda das instalações da Avilud, na Maia, e a aquisição de um centro de dados em Évora.
No mercado de ocupação, a procura industrial cresceu 60% em termos homólogos, enquanto a absorção logística recuou 16%, num contexto de aumento dos custos energéticos e de transporte.
Na hotelaria, o investimento trimestral situou-se em cerca de 78 milhões de euros, incluindo a aquisição do Tróia Design Hotel pela Arrow Global. Desde o início do ano, o setor acumulou 590 milhões de euros, ultrapassando já os volumes anuais de 2024 e 2025.
A oferta hoteleira nacional aumentou em 3.253 quartos nos primeiros nove meses de 2026, estando prevista a entrada de mais 1.600 unidades até ao final do ano.
Investidores privilegiam qualidade e estabilidade dos ativos
Para Pedro Lancastre, CEO da Dils Portugal, os resultados confirmam a capacidade de resistência do mercado e a manutenção do interesse dos investidores internacionais.
«O volume acumulado de dois mil milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, mais 7% do que no período homólogo, confirma a confiança no potencial do nosso mercado e a sua capacidade para captar capital internacional», afirma.
O responsável sublinha que o retalho continua a liderar a atividade, enquanto os segmentos industrial, logístico e residencial beneficiam de dinâmicas estruturais de procura, embora a escassez de oferta continue a condicionar o mercado da habitação.
Segundo a consultora, a qualidade dos imóveis, a estabilidade dos rendimentos e o potencial de valorização deverão continuar a determinar as decisões de investimento nos próximos trimestres.
















